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Chip clonado: os sinais do sequestro da linha e o que fazer na hora

Celular sem sinal fora do wi-fi de repente pode ser o chip clonado. Veja o que a Anatel manda fazer, como proteger banco e WhatsApp e onde reclamar pelo 1331.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Pessoa de capuz esconde o rosto atrás de um celular
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil. Fonte original

Se o celular parou de ligar, mandar SMS e usar dados fora do wi-fi de uma hora para outra, a linha pode ter sido sequestrada. Avise a operadora na hora, pelo canal oficial.

É o golpe que muita gente chama de chip clonado, e que a Anatel chama de sequestro da linha. O seu número passa a funcionar num chip novo, nas mãos do criminoso, que recebe as suas ligações e os códigos que bancos e aplicativos mandam por SMS. Abaixo, como ele acontece, os sinais, o que fazer primeiro e como deixar a sua linha menos exposta.

Como o sequestro da linha acontece

Segundo a Anatel, a fraude faz a sua linha passar a funcionar em um novo chip (cartão SIM) controlado pelo criminoso. A partir daí, ele recebe chamadas e mensagens destinadas a você.

A agência descreve dois caminhos. No primeiro, o golpista vai à sua própria operadora com documentos falsos em seu nome, ou conta com a ajuda de um funcionário cooptado. No segundo, ele usa a portabilidade: se apresenta em outra operadora como se fosse você e pede para levar o número.

O objetivo, diz a Anatel, costuma ser fazer fraudes financeiras ou acessar as suas informações pessoais.

Por que o criminoso quer o seu número, e não o seu celular

O seu aparelho continua com você. O que o golpista quer é o número, porque muitos serviços usam o celular como prova de que você é você.

A Anatel alerta que quem fica com a linha recebe inclusive os códigos de autenticação de serviços e bancos. Com esses códigos, dá para tentar trocar senhas, entrar em aplicativos e ativar o WhatsApp em outro aparelho.

É diferente do roubo do celular. No roubo, o criminoso tem o aparelho na mão. No sequestro da linha, ele tem o seu número, e você fica sem sinal sem entender o motivo.

Os sinais de que a linha foi sequestrada

O primeiro sinal, segundo a Anatel, é simples de notar: o telefone para de fazer ligações, de enviar ou receber SMS e de navegar na internet fora do wi-fi.

Preste atenção no "fora do wi-fi". Em casa, conectado à rede, o WhatsApp e o banco podem continuar funcionando normalmente, o que atrasa a percepção de que algo está errado.

Um teste rápido: desligue o wi-fi e tente fazer uma ligação ou abrir uma página com os dados móveis. Se nada funcionar, e não houver motivo conhecido (conta vencida, área sem cobertura, aparelho com defeito), trate como possível sequestro da linha.

O que fazer primeiro

A ordem importa, porque cada minuto com a linha nas mãos do golpista é um minuto recebendo os seus códigos.

  1. Avise a operadora imediatamente, pelos canais oficiais de atendimento, como orienta a Anatel. Use outro telefone ou o chat do site oficial.
  2. Ligue para o seu banco pelo número que está no verso do cartão ou no site oficial. Conte que a sua linha pode ter sido sequestrada e peça que confiram movimentações e acessos recentes.
  3. Avise a família e os amigos por outro meio que alguém pode pedir dinheiro em seu nome.
  4. Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil do seu estado, se o problema for confirmado.
  5. Reclame na Anatel se a operadora não resolver.

A Anatel explica por que o boletim é importante: ele ajuda você a se defender de eventuais prejuízos e gera estatísticas para as autoridades identificarem os criminosos.

Como proteger o WhatsApp e os apps que usam SMS

O ponto fraco é o código que chega por SMS. Quem tem o seu número recebe esse código. Por isso, vale reforçar os serviços que mais interessam ao golpista antes que algo aconteça.

No WhatsApp, a verificação em duas etapas cria uma senha extra, pedida quando o seu número é registrado em outro celular. Sem ela, o código do SMS não basta. O passo a passo está no nosso guia de verificação em duas etapas do WhatsApp.

Em bancos, e-mail e redes sociais, procure nas configurações de segurança se há confirmação pelo próprio aplicativo ou por chave de acesso. Essas opções não dependem do chip, e por isso não vão parar nas mãos de quem sequestrou a linha.

PIN do chip: o que ele protege, e o que não protege

O PIN é a senha do chip. Segundo a TIM, é uma senha de 4 dígitos usada para desbloquear o chip ao ligar o celular, e protege contra uso indevido em caso de perda ou roubo.

Na explicação da Apple, com o PIN ativo o chip ou eSIM é bloqueado sempre que o aparelho reinicia ou o chip é retirado. Quem pegar o chip não consegue fazer ligações nem usar dados sem a senha.

Mas o PIN não impede o sequestro da linha. Nesse golpe, o criminoso não usa o seu chip: ele consegue um chip novo com o seu número. O PIN protege o chip que está no seu celular, não o seu cadastro na operadora. Vale ativar, mas pensando no roubo.

Como ativar o PIN do chip sem bloquear a linha

O cuidado principal é não chutar a senha. A Apple avisa que inserir o código errado pode bloquear o chip permanentemente, sendo preciso trocar por um novo.

  • No iPhone: abra Ajustes, toque em Celular e depois em PIN do SIM. Se tiver dois chips, escolha o número antes. Se nunca usou um PIN, a Apple orienta usar o PIN padrão da operadora e, se não souber qual é, consultar a operadora.
  • No Android: a TIM indica o caminho Configurações, Segurança, Bloqueio do SIM, e a opção "Bloquear chip com PIN". Os nomes podem variar conforme o aparelho.
  • PIN padrão: na TIM, o de fábrica é 1234. Em outra operadora, confirme antes na central ou no site dela.

Troque o PIN padrão por um que só você saiba, e não use a data de nascimento.

Errou o PIN? Para que serve o PUK

Depois de três tentativas erradas de PIN, o chip pede o PUK. Segundo a TIM, é um código de 8 dígitos que desbloqueia o chip e permite criar um novo PIN.

Onde achar o PUK, conforme as operadoras:

Operadora Onde encontrar o PUK
TIM no cartão em que o chip veio (geralmente no verso), no app Meu TIM ou pela Central 1056
Claro pela Central de Atendimento 1052

O limite é curto. TIM e Claro avisam que o PUK digitado errado 10 vezes inutiliza o chip, e aí só com um chip novo.

O que a Anatel e as operadoras já fazem contra o golpe

A Anatel determinou um segundo fator de autenticação na portabilidade. Funciona assim: quando alguém pede para levar o seu número para outra operadora, chega um SMS no seu celular pedindo confirmação.

Se a resposta for SIM, a portabilidade segue. Se for NÃO, ela é cancelada automaticamente. Por isso, se você receber esse SMS sem ter pedido portabilidade, responda NÃO e fale com a sua operadora. Veja também como funciona a portabilidade do número.

A agência cita ainda a identificação por biometria facial ou de voz. E, segundo a Anatel, as operadoras passam aos bancos informações sobre números envolvidos em troca de chip, para que eles possam tomar providências preventivas nas movimentações ligadas a esse número.

Confira se há linha no seu CPF que você não conhece

Outra porta para fraude é a linha aberta no seu nome sem você saber. Desde 2020, as operadoras mantêm o portal cadastropre.com.br, onde dá para ver se existem linhas pré-pagas ativas cadastradas no seu CPF.

Segundo a Anatel, o portal é das operadoras Algar, Claro, Sercomtel, TIM e Vivo. Se aparecer uma linha que não é sua, peça o cancelamento à operadora pelos canais oficiais. O passo a passo está no nosso guia sobre chip pré-pago no seu CPF.

Onde reclamar se a operadora não resolver

A Anatel pede que o golpe seja registrado em três lugares: na operadora, na própria Anatel e na Polícia Civil, com o boletim de ocorrência. Esses registros, segundo a agência, geram estatísticas que ajudam a combater as fraudes.

Na Anatel, a central é o 1331. A ligação é gratuita de qualquer lugar do país, e o atendimento funciona de segunda a sexta, nos dias úteis, das 8h às 20h. Pessoas com deficiência auditiva ou de fala podem usar a Central de Intermediação de Comunicação da própria operadora, que funciona 24 horas.

Também dá para reclamar pelo aplicativo Anatel Consumidor. Guarde o número de protocolo do atendimento na operadora: ele mostra que você já tentou resolver por lá.

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