Pular para o conteúdo

PF mira golpe do falso entregador de brinde que colhia o rosto das vítimas

A PF cumpriu sete mandados em Uberlândia (MG) contra grupo que colhia rosto e dados como falso entregador de brinde. Veja como se proteger e o que consultar.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Mulher de óculos preocupada ao telefone
Foto: Kaboompics/Pexels. Foto original, Licença Pexels

A Polícia Federal fez nesta quinta (8) uma operação em Uberlândia (MG) contra um grupo que se passava por entregador de brindes para colher rosto e dados de vítimas.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, segundo o Diário do Comércio. A nota oficial da PF não foi localizada na hora da apuração, por isso os detalhes abaixo são atribuídos ao jornal.

Como o esquema funcionava

Tudo começava com uma abordagem presencial. Os suspeitos se apresentavam como entregadores de brindes ou de encomendas e, na conversa, coletavam dados cadastrais, fotografias e a biometria facial das pessoas, sem que elas percebessem o objetivo.

Depois, esse material era usado sem autorização para contratar financiamentos de veículos em nome das próprias vítimas. A confiança de receber uma encomenda foi a porta de entrada. O rosto serviu para passar pela verificação de identidade das financeiras.

Os números da investigação

Os investigadores identificaram até agora quatro financiamentos considerados fraudulentos, que somam cerca de R$ 453 mil. O dinheiro liberado pelas financeiras caía na conta de uma empresa que também é investigada.

Laudos periciais apontam que essa empresa recebeu mais de R$ 7,1 milhões em créditos entre 2022 e 2023. O capital social registrado era de R$ 10 mil. Segundo a apuração, os valores eram repassados rapidamente a pessoas ligadas ao grupo.

O que os suspeitos podem enfrentar

Os investigados podem responder por obtenção fraudulenta de financiamento e associação criminosa. Em caso de condenação, as penas podem chegar a 11 anos de prisão, além de multa. A PF ainda apura se há outros crimes e mais vítimas.

Por que um rosto não basta como senha

Pense na chave de casa: ela só protege enquanto ninguém copia. A biometria facial funciona assim. Quando o criminoso já tem fotos e dados da pessoa, a camada de segurança perde força, observa o Diário do Comércio.

O jornal cita ainda o "golpe do sósia", em que criminosos usam ferramentas de comparação facial para achar gente parecida com eles e tentar se passar por ela na validação de identidade. Esse levantamento é do setor financeiro, segundo a reportagem, e não faz parte da operação desta quinta.

Como se proteger de quem aparece com brinde

  • Não entregue foto do rosto, selfie nem documento a quem aparece oferecendo brinde ou encomenda que você não pediu.
  • Recuse pedidos inesperados de reconhecimento facial recebidos por link, mensagem, e-mail ou QR Code.
  • Evite publicar foto de documento ou selfie segurando documento em redes sociais e aplicativos de mensagem.
  • Se a encomenda é de verdade, confirme pelo canal oficial da loja ou da transportadora, não pelo número que o entregador der.

Como descobrir se há financiamento no seu nome

O Registrato é gratuito e mostra os contratos de crédito ligados ao seu CPF. O acesso é pela conta gov.br prata ou ouro, com verificação em duas etapas, segundo o Banco Central. O passo a passo está em como consultar o Registrato.

Se aparecer um financiamento que você não fez, a orientação do Diário do Comércio é registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do estado, e contestar a operação com a financeira, pedindo protocolo. Guarde prints e mensagens do primeiro contato, como o da falsa entrega.

Para evitar que abram conta ou contratem crédito sem você saber, veja também o bloqueio no BC Protege. Outro caso de rosto usado em empréstimo está em golpe do vale-gás contra idosos. A PF segue investigando, e quem tiver sido abordado por falso entregador em Uberlândia deve procurar a polícia.

Fontes

Mais sobre

Para continuar no assunto