Carregador USB-C: como ler a potência, o que é PD e onde conferir o selo da Anatel
Watt, volt, PD e PPS na etiqueta do carregador USB-C: veja como fazer a conta, por que o mais forte não força o celular e o que o selo da Anatel garante.
Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Carregador USB-C mais forte não empurra energia demais: no padrão USB PD, o celular só puxa o que aceita. Na compra, pesam o PD e o selo da Anatel no corpo do carregador.
A etiqueta do adaptador costuma trazer uma fila de números, como 9 V, 3 A, 45 W, PD 3.0 e PPS, que quase ninguém lê. Abaixo, como fazer a conta da potência com esses números, o que cada sigla quer dizer e o que a Anatel testa antes de deixar um carregador ser vendido no Brasil.
A conta que está na etiqueta
Potência, em watts, é tensão vezes corrente: W = V × A. A etiqueta mostra os pares de tensão e corrente que o carregador oferece, e a conta diz quanto ele entrega em cada um.
Usamos como exemplo as especificações que a Samsung publica do seu carregador de 45 W, o modelo da foto:
| Saída informada pela Samsung | Conta | Potência |
|---|---|---|
| 9 V e 3 A | 9 × 3 | 27 W |
| 15 V e 3 A | 15 × 3 | 45 W |
| 20 V e 2,25 A | 20 × 2,25 | 45 W |
A mesma caixa, portanto, entrega 27 W ou 45 W, conforme o par que o celular pedir. O número grande estampado no produto é o máximo, não o que vai sair sempre.
O que é USB PD
USB Power Delivery, ou PD, é a especificação do USB-IF, a entidade que mantém o padrão USB, que permite ao carregador e ao aparelho combinar a potência pelo cabo. Segundo o USB-IF, ela deixa cada dispositivo receber só a energia de que precisa e pedir mais quando for necessário.
É por isso que ligar um celular num carregador de notebook não é, em si, um problema de excesso: o aparelho negocia o que aceita. Até a revisão 3.1, o PD ia até 100 W, com 20 V e cabos USB-C de 5 A. Com a revisão 3.1, passou a permitir até 240 W em cabo e conector USB-C completos.
PPS, Super Fast Charging e os nomes das marcas
PPS é o modo de tensão ajustável do PD: o aparelho pode pedir tensões intermediárias, e não só os valores fixos. Na ficha do carregador de 45 W, a Samsung informa a faixa de 3,3 V a 21 V no modo PPS.
As marcas dão nomes próprios ao carregamento rápido, e as condições mudam. A Samsung informa que o Super Fast Charging 2.0, de 45 W, está disponível no Galaxy S20 Ultra, S22+, S22 Ultra, Note10+, Tab S7+ e versões mais recentes. Em outro celular, o mesmo carregador funciona, mas na velocidade que o aparelho suportar. A própria Samsung avisa que o carregamento pode variar com o tipo de aparelho e o cabo.
O que a Apple pede para o iPhone
A Apple aceita carregador de terceiros, desde que seja USB-C compatível com USB-PD. O que ela informa:
- Carregamento rápido com fio: adaptador USB-C de 18 W ou mais, da Apple ou de terceiros com USB-PD. Dá até 50% da bateria em cerca de 30 minutos, do iPhone 8 em diante.
- iPhone 17, 17 Pro e 17 Pro Max: com adaptador de 40 W ou mais, chegam a 50% em cerca de 20 minutos.
- iPhone 17e e iPhone Air: 50% em cerca de 30 minutos com 20 W ou mais.
- Sem fio (MagSafe), do iPhone 16 em diante: adaptador de 30 W ou mais.
Para saber a potência de um adaptador da Apple, a orientação é olhar a parte de cima ou de baixo dele. A Apple também avisa que o carregamento rápido pode não funcionar em ambiente muito frio ou muito quente.
O que a Anatel testa num carregador
No Brasil, o carregador usado em celular passa por avaliação de conformidade e homologação na Anatel. As regras estão no Ato nº 5155, de 2024, e valem para carregador de tomada, de carro, sem fio e para portas USB feitas só para alimentar aparelhos. A lista de ensaios explica por que o selo importa:
- 22 amostras de cada modelo para os ensaios de segurança elétrica.
- Proteção contra aquecimento excessivo e contra choque elétrico, inclusive com sobretensão na tomada. O carregador não pode deixar passar corrente que danifique o celular.
- Ensaio de isolamento com 2.000 V durante 1 minuto.
- 100 quedas livres, além de impacto, compressão e tração.
- Para pedidos novos desde 1º de janeiro de 2025, o plugue tem de cumprir as dimensões exigidas.
A Anatel diz que os testes nos carregadores servem para prevenir choques elétricos e danos ao usuário, ao aparelho e aos acessórios.
Onde fica o selo e como consultar
O Ato nº 5155 determina que o carregador vendido no mercado nacional porte o selo de segurança da homologação afixado no corpo. Só quando o formato do produto não permite, a Anatel pode aceitar o selo no manual.
O selo traz o nome ou a logomarca da Anatel e o número de homologação, com 10 ou 12 dígitos. Esse número pode ser digitado no campo "Nº Homologação" da consulta de produtos da Anatel, que mostra a quem pertence o certificado. Se a consulta trouxer outro fabricante ou outro tipo de produto, desconfie. Como o selo funciona no próprio celular está em o que o selo da Anatel garante no celular.
O cabo não é o carregador
Pela definição do Ato nº 5155, cabos e outros equipamentos que não convertem energia não entram na categoria de carregador de celular. Ou seja, o selo de segurança previsto ali é do adaptador, não do fio.
O cabo, porém, limita a potência. O USB-IF lembra que os 100 W do PD exigiam cabos USB-C de 5 A, e a Samsung vende o seu carregador de 45 W com um cabo USB-C de 5 A na caixa. Um carregador potente com um cabo fraco não entrega o que promete.
Carregador comprado fora ou sem marca
A Anatel faz um alerta sobre aparelhos e acessórios de fora: nem todo país exige os testes de qualidade e segurança em baterias e carregadores que ela exige. Um carregador comprado no exterior, ou sem selo, pode não ter o mesmo padrão de segurança do homologado.
Para o uso do dia a dia, como calor, carga à noite e quando trocar a bateria, as recomendações dos fabricantes estão em o que Google, Apple, Samsung e Motorola indicam para a bateria.
Na hora de comprar
O roteiro curto que junta as fontes acima:
- Veja a potência que o seu celular aceita na página do fabricante. Comprar mais que isso não acelera nada.
- Procure "PD" ou "USB-PD" na etiqueta, que é o que a Apple exige para o carregamento rápido do iPhone.
- Faça a conta V × A dos pares da etiqueta para conferir o máximo anunciado.
- Ache o selo da Anatel no corpo e consulte o número de homologação.
- Confira o cabo: para potências mais altas, ele precisa aguentar a corrente.
Fontes
- Anatel: Ato nº 5155, de 17 de abril de 2024 (requisitos de carregador utilizado em telefone móvel celular) (conferido em 1 de outubro de 2026)
- Anatel: Orientações para aquisição de aparelhos celulares (conferido em 1 de outubro de 2026)
- Anatel: Consulta de Produtos (Sistema de Certificação e Homologação) (conferido em 1 de outubro de 2026)
- USB-IF: USB Charger (USB Power Delivery) (conferido em 1 de outubro de 2026)
- Suporte da Apple (BR): Carregar rapidamente o iPhone (conferido em 1 de outubro de 2026)
- Samsung Brasil: Carregador de parede Super Fast Charging 45W (EP-T4510), especificações (conferido em 1 de outubro de 2026)
Mais sobre
Para continuar no assunto
Celular e compra
Celular homologado pela Anatel: o que é, como conferir e por que importa
Celular sem homologação da Anatel pode ser bloqueado nas redes. Veja o que o selo garante, como consultar o modelo e o IMEI e o que fazer se for irregular.
Celular e compra
Bateria do celular: o que Google, Apple, Samsung, Motorola e Anatel indicam
Pode carregar a noite toda? Precisa zerar a bateria? Veja o que Google, Samsung e Motorola recomendam e por que a Anatel pede carregador homologado.