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Carregador USB-C: como ler a potência, o que é PD e onde conferir o selo da Anatel

Watt, volt, PD e PPS na etiqueta do carregador USB-C: veja como fazer a conta, por que o mais forte não força o celular e o que o selo da Anatel garante.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Carregador de parede Samsung de 45 W, preto, e um cabo USB-C para USB-C solto sobre a mesa
Foto: Dinkun Chen / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Arquivo original, CC BY-SA 4.0

Carregador USB-C mais forte não empurra energia demais: no padrão USB PD, o celular só puxa o que aceita. Na compra, pesam o PD e o selo da Anatel no corpo do carregador.

A etiqueta do adaptador costuma trazer uma fila de números, como 9 V, 3 A, 45 W, PD 3.0 e PPS, que quase ninguém lê. Abaixo, como fazer a conta da potência com esses números, o que cada sigla quer dizer e o que a Anatel testa antes de deixar um carregador ser vendido no Brasil.

A conta que está na etiqueta

Potência, em watts, é tensão vezes corrente: W = V × A. A etiqueta mostra os pares de tensão e corrente que o carregador oferece, e a conta diz quanto ele entrega em cada um.

Usamos como exemplo as especificações que a Samsung publica do seu carregador de 45 W, o modelo da foto:

Saída informada pela Samsung Conta Potência
9 V e 3 A 9 × 3 27 W
15 V e 3 A 15 × 3 45 W
20 V e 2,25 A 20 × 2,25 45 W

A mesma caixa, portanto, entrega 27 W ou 45 W, conforme o par que o celular pedir. O número grande estampado no produto é o máximo, não o que vai sair sempre.

O que é USB PD

USB Power Delivery, ou PD, é a especificação do USB-IF, a entidade que mantém o padrão USB, que permite ao carregador e ao aparelho combinar a potência pelo cabo. Segundo o USB-IF, ela deixa cada dispositivo receber só a energia de que precisa e pedir mais quando for necessário.

É por isso que ligar um celular num carregador de notebook não é, em si, um problema de excesso: o aparelho negocia o que aceita. Até a revisão 3.1, o PD ia até 100 W, com 20 V e cabos USB-C de 5 A. Com a revisão 3.1, passou a permitir até 240 W em cabo e conector USB-C completos.

PPS, Super Fast Charging e os nomes das marcas

PPS é o modo de tensão ajustável do PD: o aparelho pode pedir tensões intermediárias, e não só os valores fixos. Na ficha do carregador de 45 W, a Samsung informa a faixa de 3,3 V a 21 V no modo PPS.

As marcas dão nomes próprios ao carregamento rápido, e as condições mudam. A Samsung informa que o Super Fast Charging 2.0, de 45 W, está disponível no Galaxy S20 Ultra, S22+, S22 Ultra, Note10+, Tab S7+ e versões mais recentes. Em outro celular, o mesmo carregador funciona, mas na velocidade que o aparelho suportar. A própria Samsung avisa que o carregamento pode variar com o tipo de aparelho e o cabo.

O que a Apple pede para o iPhone

A Apple aceita carregador de terceiros, desde que seja USB-C compatível com USB-PD. O que ela informa:

  • Carregamento rápido com fio: adaptador USB-C de 18 W ou mais, da Apple ou de terceiros com USB-PD. Dá até 50% da bateria em cerca de 30 minutos, do iPhone 8 em diante.
  • iPhone 17, 17 Pro e 17 Pro Max: com adaptador de 40 W ou mais, chegam a 50% em cerca de 20 minutos.
  • iPhone 17e e iPhone Air: 50% em cerca de 30 minutos com 20 W ou mais.
  • Sem fio (MagSafe), do iPhone 16 em diante: adaptador de 30 W ou mais.

Para saber a potência de um adaptador da Apple, a orientação é olhar a parte de cima ou de baixo dele. A Apple também avisa que o carregamento rápido pode não funcionar em ambiente muito frio ou muito quente.

O que a Anatel testa num carregador

No Brasil, o carregador usado em celular passa por avaliação de conformidade e homologação na Anatel. As regras estão no Ato nº 5155, de 2024, e valem para carregador de tomada, de carro, sem fio e para portas USB feitas só para alimentar aparelhos. A lista de ensaios explica por que o selo importa:

  • 22 amostras de cada modelo para os ensaios de segurança elétrica.
  • Proteção contra aquecimento excessivo e contra choque elétrico, inclusive com sobretensão na tomada. O carregador não pode deixar passar corrente que danifique o celular.
  • Ensaio de isolamento com 2.000 V durante 1 minuto.
  • 100 quedas livres, além de impacto, compressão e tração.
  • Para pedidos novos desde 1º de janeiro de 2025, o plugue tem de cumprir as dimensões exigidas.

A Anatel diz que os testes nos carregadores servem para prevenir choques elétricos e danos ao usuário, ao aparelho e aos acessórios.

Onde fica o selo e como consultar

O Ato nº 5155 determina que o carregador vendido no mercado nacional porte o selo de segurança da homologação afixado no corpo. Só quando o formato do produto não permite, a Anatel pode aceitar o selo no manual.

O selo traz o nome ou a logomarca da Anatel e o número de homologação, com 10 ou 12 dígitos. Esse número pode ser digitado no campo "Nº Homologação" da consulta de produtos da Anatel, que mostra a quem pertence o certificado. Se a consulta trouxer outro fabricante ou outro tipo de produto, desconfie. Como o selo funciona no próprio celular está em o que o selo da Anatel garante no celular.

O cabo não é o carregador

Pela definição do Ato nº 5155, cabos e outros equipamentos que não convertem energia não entram na categoria de carregador de celular. Ou seja, o selo de segurança previsto ali é do adaptador, não do fio.

O cabo, porém, limita a potência. O USB-IF lembra que os 100 W do PD exigiam cabos USB-C de 5 A, e a Samsung vende o seu carregador de 45 W com um cabo USB-C de 5 A na caixa. Um carregador potente com um cabo fraco não entrega o que promete.

Carregador comprado fora ou sem marca

A Anatel faz um alerta sobre aparelhos e acessórios de fora: nem todo país exige os testes de qualidade e segurança em baterias e carregadores que ela exige. Um carregador comprado no exterior, ou sem selo, pode não ter o mesmo padrão de segurança do homologado.

Para o uso do dia a dia, como calor, carga à noite e quando trocar a bateria, as recomendações dos fabricantes estão em o que Google, Apple, Samsung e Motorola indicam para a bateria.

Na hora de comprar

O roteiro curto que junta as fontes acima:

  1. Veja a potência que o seu celular aceita na página do fabricante. Comprar mais que isso não acelera nada.
  2. Procure "PD" ou "USB-PD" na etiqueta, que é o que a Apple exige para o carregamento rápido do iPhone.
  3. Faça a conta V × A dos pares da etiqueta para conferir o máximo anunciado.
  4. Ache o selo da Anatel no corpo e consulte o número de homologação.
  5. Confira o cabo: para potências mais altas, ele precisa aguentar a corrente.

Fontes

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