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Vaga de emprego no WhatsApp pedindo taxa? Veja como saber se é golpe

Em Marília (SP), falso recrutador do Facebook levou R$ 6.999 com um link. A Febraban explica o golpe da vaga falsa e onde achar emprego de verdade pelo celular.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Fila de pessoas diante do painel de vagas de emprego do Cate, centro de apoio ao trabalho da Prefeitura de São Paulo, na Avenida Rio Branco, em abril de 2022
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil. Fonte original

Se uma vaga chega pelo WhatsApp com salário alto, quase sem exigência, e depois pede dinheiro para curso ou exame, é golpe. A Febraban alerta: empresa séria não cobra de candidato.

Em caso noticiado nesta terça (29) e levado à Polícia Civil de Marília (SP), um morador perdeu R$ 6.999 depois de clicar no link de um falso recrutador do Facebook. No mesmo dia, o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostrou 165.827 vagas com carteira abertas em agosto, e é nessa corrida por recolocação que o golpe pega mais gente.

Segundo o relato publicado pelo Giro Marília, o morador do Parque das Acácias viu uma oferta de emprego no Facebook. Na etapa de "cadastro", o suposto recrutador mandou um link externo, e o clique deu acesso à conta bancária do trabalhador.

Em seguida saíram duas transferências por TED, de R$ 3.999 e de R$ 3.000. A vítima foi à agência do banco relatar a invasão e depois levou o caso à Polícia Civil. É o roteiro que a Febraban descreve: a vaga é só a porta de entrada.

Como a falsa vaga chega até você

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os criminosos descobrem quem está procurando trabalho e se passam por recrutadores ou agências de emprego. O contato vem por WhatsApp, e-mail ou rede social.

A isca é uma vaga irrecusável: salário acima da média do mercado, exigências mínimas e um processo seletivo rápido demais. O golpe começa com a vaga dos sonhos e, como descreve a Febraban, pode terminar com dados pessoais expostos e transferências para contas de criminosos.

As cobranças que entregam o golpe

Depois do primeiro contato, vêm as "exigências". A Febraban lista as mais comuns:

  1. Curso pago e rápido, apresentado como obrigatório para se adequar à vaga.
  2. Dinheiro para exames médicos que não existem.
  3. Envio de documentos pessoais e dados bancários.
  4. Assinatura digital em algum documento durante a "seleção".

A regra que desmonta tudo é simples. Nenhuma empresa séria cobra taxa para participar de processo seletivo, fazer exame admissional ou curso "obrigatório" antes da contratação, reforça a federação.

Por que eles querem seus documentos

Nem todo falso recrutador quer só o Pix da taxa. Segundo Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, o pedido de documentos e de assinatura digital serve para roubar dados pessoais e financeiros da vítima.

Com essas informações nas mãos, os bandidos podem cometer outros crimes depois, em nome de quem só estava procurando emprego. Por isso o prejuízo pode aparecer semanas mais tarde, longe da conversa da vaga.

Cinco checagens antes de responder

As dicas abaixo são da Febraban:

  1. Valide a abordagem. Se a oferta veio por e-mail, veja se o endereço é do domínio da empresa. Se veio por rede social, confira se o perfil do recrutador é profissional e tem conexões reais.
  2. Analise a proposta. Desconfie de salário muito acima da média para função que pede pouca experiência, ou de seleção simples demais.
  3. Use os canais oficiais. Antes de clicar em qualquer link, procure a vaga no site da empresa ou na página oficial dela no LinkedIn.
  4. Pagamento zero. Qualquer cobrança para seleção, exame ou curso de pré-contratação é sinal de fraude.
  5. Proteja seus dados. Não mande foto de documento, dados bancários nem faça assinatura digital antes de ter certeza de que a empresa existe e de ter passado por uma entrevista, presencial ou por vídeo.

Vaga de verdade e vaga falsa lado a lado

Na vaga real Na vaga falsa
Salário compatível com a função Salário muito acima da média para pouca exigência
Vaga aparece no site ou no LinkedIn oficial da empresa Vaga só existe na conversa do WhatsApp
E-mail com o domínio da empresa E-mail genérico ou perfil sem conexões
Seleção sem custo para o candidato Cobrança de curso, taxa ou exame
Documentos pedidos depois da entrevista Foto de documento e dados do banco logo no início

Onde procurar emprego pelo celular sem pagar nada

O governo federal tem um canal oficial e gratuito: o Sistema Nacional de Emprego (Sine). Segundo a página do serviço no gov.br, dá para buscar vagas de três formas:

  1. No aplicativo Carteira de Trabalho Digital, para Android e iPhone.
  2. No Portal Emprega Brasil, pela internet.
  3. Presencialmente, nos postos de atendimento do Sine.

Para usar o serviço on-line, é preciso ter conta gov.br nível bronze, prata ou ouro. Veja o que cada nível da conta gov.br libera.

Como se candidatar pelo Sine

O passo a passo descrito no gov.br tem três etapas:

  1. Faça o cadastro com seus dados pessoais, formação e experiências.
  2. Consulte as vagas disponíveis para o seu perfil.
  3. Candidate-se e agende a entrevista com o empregador.

O gov.br recomenda manter o cadastro e as pretensões profissionais sempre atualizados, para as vagas combinarem melhor com o seu perfil. O guia completo do app está em Carteira de Trabalho Digital: como usar.

Caí no golpe: o que fazer agora

Se você pagou taxa por Pix, avise o seu banco pelo canal oficial o quanto antes e peça a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). Veja como pedir o dinheiro de volta pelo MED.

Se mandou documentos, registre boletim de ocorrência e acompanhe seu CPF e suas contas nas semanas seguintes. Não clique em novos links enviados pelo mesmo contato; veja como reconhecer link falso por mensagem.

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