Golpe do falso leilão: como conferir o leiloeiro antes de dar lance
Carro e celular a preço de banana em site de leilão? Febraban e TJPR explicam o golpe e como conferir na Junta Comercial se o leiloeiro existe antes de pagar.
Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Leilão de verdade tem leiloeiro oficial com matrícula na Junta Comercial. O golpe do falso leilão usa site bonito e preço baixo para levar o seu Pix, e o carro ou o celular nunca chega.
O roteiro está descrito no alerta antifraude da Febraban e num aviso do Tribunal de Justiça do Paraná, que viu o próprio nome ser usado por sites falsos como "garantidor" de leilões. Os dois explicam como a fraude funciona e o que conferir antes de mandar qualquer dinheiro, e a lição vale para qualquer estado.
Como o golpe funciona
Segundo a Febraban, os golpistas criam sites falsos de leilão e anunciam todo tipo de produto por preço bem abaixo do mercado. Depois, pedem transferência, depósito ou Pix para "garantir a compra" e apelam para a urgência, dizendo que você vai perder o desconto se demorar. A mercadoria paga nunca é entregue.
A federação acrescenta um segundo prejuízo: no cadastro, os criminosos podem ficar com dados como CPF e número da conta da vítima.
O disfarce: nome de tribunal e de leiloeiro real
O alerta do TJPR mostra o nível da falsificação. Os sites usavam imagens parecidas com a marca do tribunal e falsificavam até o login e os e-mails de "validação de lance". O tribunal foi direto: ele não homologa sites de leilão, sejam governamentais, privados ou de qualquer instituição.
Leiloeiros de verdade também têm o nome copiado. No mesmo aviso, o TJPR cita uma empresa de leilões que precisou publicar um alerta dizendo que só usa o próprio endereço oficial e que as demais páginas com o nome dela são falsas.
Sinais de alerta
- Preço muito abaixo do valor de mercado.
- Pressa para pagar e "garantir" o lote.
- Pagamento para conta de pessoa física, o que a Febraban manda não fazer.
- Site sem nome completo do leiloeiro e sem número de matrícula.
- Site que usa nome ou marca de tribunal como "garantia" do leilão.
Conferência 1: o leiloeiro existe?
O TJPR resume a regra: todo leilão deve ser organizado por um leiloeiro oficial habilitado. A consulta é feita no site da Junta Comercial do estado, que mantém a lista dos leiloeiros oficiais.
Na prática:
- Anote o nome completo e a matrícula do leiloeiro que aparecem no site.
- Procure esse nome na lista da Junta Comercial do estado indicado.
- Pegue o telefone ou o site que aparece na Junta, não o do anúncio, e confirme com o leiloeiro se aquele leilão existe.
A Febraban recomenda ainda pesquisar o nome da empresa em sites de reclamação e conferir o CNPJ do leiloeiro.
Conferência 2: o leilão está no edital?
Se o anúncio diz que o leilão é judicial, o caminho é o site do tribunal que organiza. No caso do Paraná, a consulta fica em tjpr.jus.br/editais, na modalidade Leilão. Pelo aviso do tribunal, se o leilão não aparece no sistema, muito provavelmente é golpe.
Outros tribunais publicam seus editais nas próprias páginas. A regra é a mesma: entre no site oficial digitando o endereço, sem usar o link recebido.
Conferência 3: o site é o oficial?
O exemplo do leiloeiro citado pelo TJPR mostra por que conferir o endereço: páginas com o nome dele eram falsas, e só o site oficial valia. Compare o endereço do anúncio com o que o leiloeiro informa nos canais encontrados pela Junta Comercial.
A Febraban sugere ainda conferir o cadeado no canto da barra do navegador. Ele é um item a mais na lista, mas não substitui a consulta do leiloeiro na Junta.
Antes de pagar
O TJPR recomenda não fazer nenhum pagamento antes de visitar pessoalmente o bem e sempre falar com o órgão responsável pelo leilão para confirmar os dados antes do lance online. Desconfie de quem diz que a visita não é possível e insiste no pagamento antecipado.
Já paguei: o que fazer
- Avise o seu banco imediatamente pelo canal oficial. Se foi Pix, peça a abertura do mecanismo de devolução; entenda como funciona o MED.
- Guarde prints do site, do anúncio, das conversas, dos e-mails e o comprovante.
- Registre boletim de ocorrência. O TJPR orienta denunciar sites falsos à delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil; o caminho geral está em como denunciar golpe digital.
- Se passou CPF e dados da conta no cadastro, acompanhe o extrato e fique atento a contatos que usem essas informações.
Outros golpes que terminam no Pix estão reunidos no guia de tipos de golpe do Pix e como se proteger.
Fontes
- Febraban: Golpe do falso leilão (antifraude) (conferido em 2 de outubro de 2026)
- Tribunal de Justiça do Paraná: Alerta sobre falsos sites de leilão (06/06/2023) (conferido em 2 de outubro de 2026)
Mais sobre
Para continuar no assunto
Golpes e segurança
Golpe do Pix: os tipos mais comuns e como se proteger
Falsa venda, falsa central e WhatsApp lideram os golpes relatados aos bancos, diz a Febraban. Veja como cada um funciona e as defesas do Pix e do Banco Central.
Golpes e segurança
MED do Pix: como pedir a devolução do dinheiro em caso de golpe
Caiu em golpe no Pix? O MED é o pedido de devolução feito no app do banco em até 80 dias. Veja o passo a passo, os prazos e o que mudou com o MED 2.0.
Golpes e segurança
Como denunciar golpe digital: polícia, banco e canais oficiais
Caiu em golpe digital? Avise o banco pelos canais oficiais, registre boletim na Polícia Civil e reclame no Banco Central se não resolver. Veja cada canal.