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O que acontece com quem tenta transferir para uma chave Pix marcada por fraude?

Chave Pix marcada por suspeita de fraude: o app barra o Pix e avisa. Veja o que o Banco Central manda mostrar, o que fazer e o que o recebedor pode pedir.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Dedo tocando a tela de um celular aberta na Central Pix de um aplicativo de banco, com as seções Receber e Consultar, Extrato Pix e Minhas Chaves Pix
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil (Brasília, 20/07/2026). Fonte original

O seu Pix não sai: o app do banco barra a transferência e avisa que o recebedor esteve envolvido em transação com fundada suspeita de fraude, como o Banco Central manda.

Não é pane nem bloqueio da sua conta. A chave que você digitou, ou o QR Code que você leu, está ligada a alguém que passou por uma marcação de suspeita no sistema do Pix. Abaixo, o que aparece na tela, por quê e o que fazer.

O que o app tem de mostrar na tela

O manual do Banco Central que define a experiência do usuário no Pix (versão 7.3, de dezembro de 2025) é direto. Quando a chave é enviada ao DICT, o diretório das chaves Pix, e a resposta é de conta ou usuário com restrição para receber Pix por envolvimento em fraude, o app tem de informar o pagador e dizer que não é possível concluir a transação.

A mensagem é obrigatória e precisa deixar claras duas coisas: que a conta de destino ou o recebedor esteve envolvido em transação com fundada suspeita de fraude, e que o Pix não pode ser feito.

O manual dá exemplos, e o texto exato muda de banco para banco:

  • "Conta ou recebedor envolvido em transação com fundada suspeita de fraude. Não é possível realizar o Pix."
  • "Não é possível consultar essa chave Pix. Recebedor envolvido em transação com fundada suspeita de fraude."

Quando o aviso aparece

Em dois momentos, segundo o manual. O primeiro é na busca da chave: você digita CPF, celular, e-mail ou chave aleatória, o app consulta o DICT e já trava ali, antes de pedir valor ou senha.

O segundo é na leitura do QR Code. Se a chave dentro do código pertence a uma conta com esse tipo de restrição, o pagador também tem de ser avisado. Um exemplo oficial para esse caso: "Conta de destino envolvida em transação com fundada suspeita de fraude. O Pix não pode ser realizado."

Chave marcada não é o mesmo que chave indisponível

O manual separa dois avisos que parecem iguais e não são. Veja a diferença:

O que o DICT devolve O que o app deve dizer Exemplo do manual
Conta ou usuário com restrição por fraude Recebedor envolvido em fundada suspeita de fraude; Pix não pode ser feito "Conta ou recebedor envolvido em transação com fundada suspeita de fraude..."
Chave não encontrada ou bloqueada Transação não realizada; chave inexistente ou indisponível "Transação não concluída. Chave indisponível."

Se você viu "chave não localizada", o problema pode ser um erro de digitação. Se viu a palavra fraude, a chave existe e está marcada.

O que é a marcação, em linguagem simples

A Resolução BCB nº 587, publicada em 18 de setembro, permite que o banco crie uma notificação para marcar o CPF ou o CNPJ de um cliente seu que esteja envolvido em uma transação Pix específica com fundada suspeita de fraude. A marcação fica no DICT, ligada ao CPF ou CNPJ e à chave, quando a informação existe.

Pelo artigo 89 do regulamento, o banco responsável pela marcação rejeita todas as transações Pix em que essa pessoa apareça como pagadora ou recebedora, com exceção das devoluções. O prazo da marca é de cinco anos, contados do registro.

Marcação é suspeita, não condenação

O texto da resolução fala em fundada suspeita. Quem tem a chave marcada pode ter participado de um golpe, mas também pode ter emprestado a conta ou recebido dinheiro sem saber a origem. O aviso na sua tela não diz qual é o caso, e você não deve concluir nada sobre a pessoa.

A resolução obriga o banco responsável a deixar o cliente pedir o cancelamento da marcação. O banco decide em até sete dias e, se não restarem elementos que justifiquem a suspeita, tem de cancelar. O caminho do outro lado está no guia do CPF marcado no Pix.

O que fazer quando o Pix é barrado

  1. Pare. Não tente de novo com outra chave da mesma pessoa só para ver se passa.
  2. Confira com quem vai receber, por um canal que você já conhecia (ligação para o número antigo, atendimento da loja). Não use só o contato que veio na mesma mensagem do pedido de pagamento.
  3. Desconfie de pressa. Se a pessoa pede para você pagar em outra conta "porque aquela deu problema", trate como alerta. É um padrão do golpe do Pix, e o aviso do app existe para frear isso.
  4. Se o recebedor é alguém de confiança (um prestador de serviço, um vizinho), ele pode procurar o banco dele e pedir a revisão da marcação.
  5. Se a cobrança veio por QR Code de loja ou site, confira o QR Code Pix falso antes de tentar de novo.

E se eu já tinha mandado um Pix antes?

O aviso vale para a tentativa nova: o Pix é barrado e o dinheiro não sai. Se você já pagou essa pessoa e agora acha que caiu em golpe, o caminho é outro: peça ao seu banco a devolução pelo MED, o mecanismo de devolução do Banco Central, como explica o guia do MED. Quanto mais cedo você avisar o banco, melhor.

E se o aviso aparece para o meu CPF ou minha chave?

Aí a marcação é sua. O banco que a criou rejeita os seus Pix, e você precisa pedir a revisão a esse banco, pelo atendimento do próprio app. A obrigação de o banco avisar você da marcação, com data e canal de revisão, só começa em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, o primeiro sinal pode ser o Pix recusado.

Se você recebe Pix de clientes, vale rever a sua chave Pix e os cuidados com ela e nunca emprestar a conta para receber dinheiro de estranhos.

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