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Controle dos pais no celular: como ativar Family Link e Tempo de Uso

Como ativar o controle dos pais no Android, pelo Family Link, e no iPhone, pelo Tempo de Uso, e o que o ECA Digital, em vigor desde março, exige das empresas.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Pai deitado ao lado do filho, que usa o celular
Divulgação / Google. Fonte original

O Android e o iPhone já trazem controle dos pais de graça: o Family Link, do Google, e o Tempo de Uso, da Apple. Com eles, você limita apps, compras e o tempo de tela.

A pergunta ficou mais comum desde 17 de março de 2026, quando entrou em vigor o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), que obriga as empresas a oferecer ferramentas de supervisão fáceis de usar. Abaixo, o que a lei mudou, como ativar o controle em cada celular, o que dá para controlar e o que essas ferramentas não fazem.

O que o ECA Digital mudou para os pais

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente vale para redes sociais, jogos, aplicativos, plataformas de vídeo, lojas de aplicativos e sistemas operacionais usados por crianças e adolescentes, mesmo que a empresa esteja fora do Brasil.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, uma das principais mudanças é que as ferramentas de supervisão parental passaram a ser obrigatórias. Elas precisam ser acessíveis e fáceis de usar, e a configuração de fábrica tem de ser a mais protetora disponível.

Entre as funções previstas estão gerenciar a conta e a privacidade, restringir compras, identificar os adultos com quem o filho conversa e acompanhar o tempo total de uso.

Outras regras da lei que afetam o celular do seu filho

O ECA Digital foi além do controle dos pais. Segundo o ministério, a lei também prevê:

  • Conta vinculada ao responsável: nas redes sociais, contas de crianças e adolescentes de até 16 anos devem estar ligadas à conta de um responsável legal.
  • Verificação de idade: para conteúdo proibido a menores de 18 anos, a verificação deve ser feita a cada acesso, e não vale só a pessoa dizer a idade.
  • Lojas de aplicativos: lojas e sistemas operacionais devem aferir a idade ou a faixa etária dos usuários, respeitando a LGPD.
  • Caixas de recompensa proibidas: as loot boxes, prêmios aleatórios comprados em jogos, ficam vedadas em jogos para crianças e adolescentes.
  • Sem anúncio por perfil: fica proibido usar o perfil da criança para direcionar publicidade.

O descumprimento pode render multa de R$ 10 por usuário cadastrado, até o limite de R$ 50 milhões, além de suspensão das atividades.

O Family Link é o aplicativo gratuito do Google para supervisionar a conta de uma criança ou adolescente. Segundo o Google, com ele você vê como a criança usa o celular, confere a localização dela e gerencia as configurações de privacidade.

Os pais instalam o app "Family Link" no próprio celular, Android ou iPhone. A supervisão é ativada na Conta do Google do filho. Se a criança tem menos de 13 anos e ainda não tem conta, dá para criar uma já supervisionada.

Para supervisionar, o Google exige que o responsável tenha mais de 18 anos, que o filho aceite a supervisão e que os dois morem no mesmo país.

Deixe o celular do filho perto de você: segundo o Google, a criança e o aparelho precisam estar junto do responsável na hora de ativar. O caminho no Android da criança é este:

  1. Abra as Configurações.
  2. Toque em Google e depois em Todos os serviços.
  3. Em "Crianças e família", toque em Controles da família.
  4. Toque em Vamos começar e escolha a conta que será supervisionada.
  5. Siga as etapas. O consentimento da criança ou do adolescente é pedido durante o processo.

Se o filho não tem Android, o Google indica fazer a configuração pela web, com o e-mail e a senha da conta da criança.

Pelo app, o responsável pode, segundo o Google:

  • Aprovar compras feitas pelo faturamento do Google Play.
  • Escolher os apps do Google Play que o filho usa.
  • Filtrar os resultados da pesquisa do Google e gerenciar a navegação no Chrome.
  • Ver a localização do filho em aparelhos Android.
  • Definir limites diários de tempo de tela, com horários de escola e de descanso.

O Google avisa que os recursos podem variar conforme o aparelho da criança. No iPhone e no navegador, a supervisão pelo Family Link é só parcial.

Tempo de Uso: o controle dos pais no iPhone

No iPhone, o controle fica no Tempo de Uso, que já vem no sistema. Antes, a Apple pede que o Compartilhamento Familiar esteja configurado e que cada pessoa tenha a própria Conta Apple. A criança usa uma Conta Criança.

Com tudo pronto, a Apple recomenda configurar pelo celular do responsável:

  1. Abra o app Ajustes.
  2. Toque em Família e escolha o nome da criança.
  3. Toque em Tempo de Uso e siga as instruções da tela.

A Apple orienta que o código do Tempo de Uso seja definido no aparelho do responsável, e não no da criança.

O que dá para controlar pelo Tempo de Uso

Segundo a Apple, o responsável pode liberar ou bloquear apps e sites e usar o Pedir para Comprar: a criança manda um pedido de aprovação antes de comprar ou baixar algo.

Dá também para escolher com quem o filho conversa no Mensagens, no FaceTime e no Telefone. Se alguém novo mandar mensagem, a criança só lê depois que um responsável aprovar. Há limites de tempo por categoria, como jogos e redes sociais.

Dois ajustes já vêm ligados, segundo a Apple: o Pedir para Navegar, para menores de 13 anos, e o bloqueio de sites adultos, para menores de 18. Os controles mais novos aparecem no iOS 27; com aparelhos em versões antigas, vale a versão anterior do Tempo de Uso.

O que o controle dos pais não resolve sozinho

O próprio Google é claro: o Family Link não bloqueia todo o conteúdo impróprio. Ele tem filtros, mas como eles não são perfeitos, a criança ainda pode encontrar conteúdo violento ou inadequado para a idade.

A supervisão também não substitui a conversa. O adolescente pode pedir para encerrar a supervisão, e no Family Link isso depende da aprovação do responsável até os 18 anos, com aviso para os dois lados.

Vale ainda revisar a privacidade dos apps que o filho mais usa. No WhatsApp, por exemplo, dá para limitar quem vê a foto e quem adiciona a conta em grupos, como mostra o nosso guia de privacidade do WhatsApp. E converse sobre golpes: o golpe do falso parente também chega ao celular dos filhos.

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