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IMEI tem 15 números: o que cada parte quer dizer e por que há dois

Os 15 números do IMEI não são sorteados: dizem o modelo, o aparelho e trazem uma conta de conferência. Veja o que é cada parte e por que surgem dois IMEIs.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Bandeja para dois chips retirada da lateral de um celular prateado, apoiada sobre uma mesa branca
Foto: Ilya Plekhanov / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Arquivo original, CC BY-SA 4.0

Os 15 números do IMEI não são sorteados. Pela regra da GSMA, os 8 primeiros dizem o modelo, os 6 seguintes o aparelho e o último é uma conta de conferência contra erro de digitação.

Pense no IMEI como o endereço completo de uma casa. Tem a cidade, a rua, o número da porta e, no fim, um código que confere se ninguém anotou errado. Saber ler essas partes ajuda a entender por que a Anatel manda conferir o número da tela com o da caixa, e por que alguns celulares mostram dois IMEIs. Abaixo, cada pedaço explicado com calma.

Quem define as regras do IMEI

O IMEI é a identidade do aparelho, não do chip. As regras de formato estão num documento oficial da GSMA, a associação mundial das operadoras de telefonia, chamado TS.06. Segundo ele, o IMEI identifica cada celular de forma única e serve para controlar o acesso dos aparelhos às redes móveis.

O documento diz que o número tem 15 dígitos, todos de 0 a 9. Não existe letra no IMEI.

Os 8 primeiros números: o modelo do celular

Essa primeira parte se chama TAC (código de alocação de tipo). Pela GSMA, ela identifica o modelo do aparelho, e cada modelo precisa ter um TAC próprio. Um modelo muito vendido pode ganhar mais de um TAC, por exemplo para passar de 1 milhão de unidades.

O TAC ainda se divide em dois:

  1. Os dois primeiros dígitos dizem qual entidade credenciada pela GSMA emitiu o número.
  2. Os seis seguintes identificam o modelo, junto com os dois primeiros.

Na comparação com a casa, o TAC é a cidade e a rua.

Os 6 do meio: o seu aparelho

Depois do TAC vem o número de série, com seis dígitos. A GSMA explica que ele separa cada aparelho dentro do mesmo modelo, e quem grava esse número é o fabricante. Cada celular de um mesmo TAC precisa ter um número de série diferente.

É o número da porta. Dois vizinhos podem morar na mesma rua, mas nunca no mesmo número.

O último número: a conta que pega erro

O 15º dígito é o dígito verificador. Ele não é escolhido à toa: sai de uma conta feita com os outros 14 números, pela chamada fórmula de Luhn, prevista numa norma internacional de cartões de identificação (ISO/IEC 7812), segundo a GSMA.

A GSMA diz para que ele serve: ajudar a pegar erro de leitura ou de digitação quando alguém copia o IMEI à mão. A ideia é que, se alguém trocar um número sem querer, a conta deixe de bater. Funciona como o dígito depois do traço em muitos documentos.

Na prática: como ler o seu

Parte Dígitos O que indica
Entidade emissora 1º e 2º Quem emitiu o código do modelo
Modelo 3º ao 8º O modelo do celular
Número de série 9º ao 14º O seu aparelho
Dígito verificador 15º A conta de conferência

Para ver o número, a Anatel ensina três caminhos: olhar a caixa, olhar o adesivo atrás da bateria (em aparelhos que ainda têm bateria removível) ou digitar *#06# e apertar a tecla de ligar.

No iPhone, a Apple indica Ajustes, Geral e Sobre, rolando a tela até o IMEI. Em vários modelos, segundo a Apple, o número também está gravado na bandeja do chip.

Por que meu celular mostra dois IMEIs

Porque o número vai com a conexão, e não com o celular inteiro. A Anatel avisa que celulares com mais de um chip têm um IMEI para cada chip, e que é preciso conferir todos.

A regra da GSMA explica o motivo: quando dois chips ficam ligados ao mesmo tempo, mesmo que um só esteja esperando chamada, cada um precisa de um IMEI único. O documento cita também o chip virtual, o eSIM, na mesma conta. Se você usa ou pensa em usar o chip digital, veja como funciona o eSIM no Brasil.

E o MEID e o IMEISV, que às vezes aparecem?

No iPhone, a tela pode mostrar IMEI/MEID. A Apple explica que o MEID são os 14 primeiros dígitos do IMEI, ou seja, o mesmo número sem o dígito verificador.

Já o IMEISV, que alguns menus exibem, tem outra lógica. Pela GSMA, ele mantém os 14 primeiros números e troca o dígito verificador por dois dígitos da versão do software do aparelho. Não é um segundo celular, é só um "carimbo" de versão.

Para que isso serve na hora de comprar usado

Entender as partes ajuda num cuidado simples que a Anatel recomenda antes da compra: conferir se o IMEI que aparece na tela é o mesmo da caixa. Se os números não baterem, desconfie.

O passo seguinte é consultar o número nos serviços oficiais. O caminho completo está no guia de como consultar se um celular é roubado antes de comprar. E vale conferir também se o aparelho é homologado pela Anatel.

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