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Taxista cobrou R$ 30 mil na maquininha: o que conferir antes de pagar

Taxista de SP perdeu o cadastro após cobrar R$ 30.350 por corrida de R$ 30,75. Veja o que a Febraban manda conferir na maquininha e o que fazer se pagou a mais.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Taxímetro no painel de um táxi em São Paulo, com o visor de preço a pagar, em foto de março de 2016
Foto: Fernando Oda / Flickr (CC BY 2.0). Foto original, CC BY 2.0

A corrida de táxi custava R$ 30,75 e saíram R$ 30.350 da conta do passageiro. Para não cair no golpe da maquininha, a Febraban orienta: confira o valor na tela antes de confirmar.

O caso aconteceu em São Paulo, com um torcedor argentino, e ganhou um desfecho nesta terça (29): a Prefeitura cancelou o cadastro do taxista. Abaixo estão o que se sabe do caso, como o golpe funciona, o que conferir antes de pagar e o que fazer se o valor debitado for maior que o combinado.

O que aconteceu na corrida de R$ 30,75

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, o torcedor do Boca Juniors pegou o táxi em 15 de setembro, dia do jogo contra o São Paulo pela Copa Sul-Americana, para ir ao Museu do Futebol, no Pacaembu. O motorista informou uma corrida de R$ 30,75.

O passageiro contou ao g1 que recebeu a máquina e digitou R$ 30,75. Minutos depois, o extrato mostrou uma compra de R$ 30.350. Ele cobrou a diferença por mensagem, sem sucesso, e registrou o caso na Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista (Deatur).

O que a Prefeitura e a polícia fizeram

O motorista foi localizado pela Polícia Militar numa blitz. A máquina de pagamento e um celular foram apreendidos para perícia, e ele foi indiciado por estelionato por meio eletrônico. Responde em liberdade e disse à polícia que achou que o valor fosse "gorjeta".

O delegado Luiz Alberto Guerra, da Deatur, disse que o entendimento da polícia é de má-fé. O táxi foi apreendido pela SPTrans por irregularidades e a Prefeitura cancelou o Condutax, o cadastro municipal de condutores de táxi. Cerca de R$ 11,7 mil já foram devolvidos ao torcedor, segundo a polícia.

Como funciona o golpe da maquininha, segundo a Febraban

A Febraban descreve o golpe assim: o criminoso entrega uma maquininha com o visor danificado ou se posiciona de um jeito que a vítima não veja o preço na tela. O valor lançado é bem maior que o combinado, e o cliente só percebe depois de um tempo.

Há uma variação que vem junto, segundo a federação dos bancos. O golpista presta atenção na senha digitada e, na hora de devolver o cartão, entrega outro no lugar. Com o cartão verdadeiro e a senha, faz compras com o dinheiro da vítima.

Por que o passageiro com pressa é o alvo

O alerta da Febraban cita os táxis diretamente. Criminosos se passam por taxistas em corridas iniciadas na rua, em locais de grande movimento, e aproveitam a pressa e a distração de quem embarca. Usam carro com placa adulterada e luz de táxi.

Na hora de pagar, segundo a Febraban, o falso taxista diz que só aceita cartão físico e recusa Pix e pagamento por aproximação. O mesmo roteiro aparece com falsos entregadores de comida, brindes e presentes de aniversário, sempre com uma "taxa" que só pode ser paga no cartão.

Antes de pagar: o que conferir na maquininha

As recomendações abaixo são da Febraban. Valem para táxi, entrega em casa e qualquer compra presencial:

  1. Peça para ver a tela antes de encostar ou inserir o cartão. Visor quebrado, apagado ou coberto é motivo para não pagar.
  2. Confira o valor, com vírgula e centavos, antes de digitar a senha.
  3. Passe o cartão você mesmo. Não entregue o cartão para o motorista ou o entregador.
  4. Digite a senha sem que ninguém ao redor veja.
  5. Ao receber o cartão de volta, confira se é o seu (nome e banco).
  6. Peça o comprovante impresso ou confira o valor no aviso do app do banco.

Se a pessoa insistir para você pagar sem ver a tela, a orientação da Febraban é direta: não aceite fazer o pagamento.

O aviso do banco no celular que denuncia o golpe na hora

A Febraban recomenda ativar o alerta de transações por SMS ou notificação, que os bancos oferecem para acompanhar os pagamentos em tempo real. Com o aviso ligado, o valor aparece no celular segundos depois da compra, ainda dentro do carro.

Vale conferir no app do seu banco se as notificações de compra no cartão e de Pix estão ativas. Quanto antes você perceber um valor errado, mais rápido consegue pedir o bloqueio e a contestação.

Pix no táxi: confira o valor e o nome de quem recebe

No Pix, a tela de confirmação mostra o valor e o nome do recebedor antes de você digitar a senha. Leia os dois antes de confirmar, e não entregue o celular desbloqueado para outra pessoa concluir o pagamento. Se o motorista oferecer o Pix por aproximação, a regra é a mesma: conferir o valor antes de confirmar no seu celular.

Outra proteção é baixar o limite do Pix no app. Pela Instrução Normativa BCB nº 512, o pedido de redução vale na hora, e o aumento leva de 24 a 48 horas. As regras estão no guia sobre os limites do Pix à noite e de dia.

Como pegar táxi com mais segurança

Para o golpe do falso taxista, a Febraban dá duas saídas. Pedir o táxi por aplicativo e pagar a corrida antecipadamente pelo app, sem maquininha no carro. Ou pegar o táxi apenas num ponto credenciado.

Em São Paulo, o taxista precisa do Condutax, o cadastro municipal que a Prefeitura cancelou neste caso. Anote a placa antes de embarcar: é o dado que a Prefeitura pede para registrar qualquer denúncia contra o motorista.

Pagou a mais: o que fazer nas primeiras horas

O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta, para quem teve perda financeira em golpe:

  1. Avise o banco o mais rápido possível, só pelos canais oficiais: telefone do verso do cartão, app, site oficial ou agência.
  2. Conteste a transação que você não reconhece e peça o bloqueio do cartão, se houver risco de troca.
  3. Registre boletim de ocorrência. Em São Paulo, dá para fazer pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil.
  4. Acompanhe o extrato nos dias seguintes e avise o banco de qualquer movimento estranho.

Guarde o comprovante, a placa, o horário e as mensagens trocadas com o motorista. O guia de como denunciar golpe digital reúne os outros canais oficiais.

Se o pagamento foi por Pix, peça o MED

Quando o golpe acontece no Pix, o caminho é o Mecanismo Especial de Devolução. O pedido é feito no app do seu banco em até 80 dias, pelo botão de contestação que todo app precisa ter, segundo as regras do Banco Central.

Contestar no mesmo dia aumenta a chance de ainda haver saldo na conta que recebeu. O passo a passo completo está no guia do MED do Pix.

Onde reclamar do taxista e do banco

Onde Para quê O que levar
SP156 (portal, telefone 156 ou praça de atendimento) Denúncia de conduta do taxista em São Paulo Data, horário, endereço e placa
Delegacia Eletrônica ou delegacia Boletim de ocorrência Comprovante, extrato e mensagens
Banco Central (registrar reclamação) Queixa contra o banco que não resolveu Protocolo do atendimento no banco

No SP156, a denúncia vai para o setor de Disciplina do Departamento de Transportes Públicos, que convoca o motorista para prestar esclarecimentos. O prazo máximo de resposta é de 30 dias e o serviço é gratuito, segundo a Prefeitura.

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