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Golpe do falso advogado: como conferir na OAB antes de pagar o Pix

Golpistas usam nome, foto e dados do seu processo para pedir Pix que liberaria dinheiro da Justiça. Veja os sinais, como conferir o advogado e onde denunciar.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Fachada da sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília, com o letreiro da entidade
Foto: Conselho Federal da OAB (Flickr oficial). Fonte original

No golpe do falso advogado, criminosos usam dados reais do seu processo e pedem Pix para liberar um dinheiro da Justiça. A Justiça não cobra por isso: confirme antes de pagar.

O contato chega quase sempre por WhatsApp, com o nome, a foto e até o logotipo do escritório verdadeiro. Tudo parece certo, menos o pedido de dinheiro. Abaixo, como o golpe funciona, os sinais de alerta, como conferir o advogado na OAB e o que fazer se você já pagou.

Como o golpe do falso advogado funciona

Segundo a OAB Nacional, o golpe começa com o acesso indevido a informações públicas de processos judiciais. Com esses dados, os criminosos procuram as partes da ação, principalmente em causas com previsão de liberação de valores, e se apresentam como o advogado ou alguém do escritório.

O pedido vem em seguida: um Pix "para liberar" o dinheiro do processo. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) descreve o mesmo roteiro e acrescenta que a mensagem pode chegar por WhatsApp ou e-mail, com nomes, fotos, logotipos e dados verdadeiros do processo.

Por que a mensagem parece tão verdadeira

O golpista não inventa o seu caso: ele copia. Número do processo, nome do advogado, nome da outra parte e até a vara onde a ação corre podem estar certos. É isso que faz a vítima baixar a guarda.

O segundo ingrediente é a pressa. O TJDFT explica que os golpistas criam um senso de urgência e exigem pagamento imediato justamente para que a vítima não tenha tempo de confirmar a história com o advogado de verdade. A OAB lembra que muitas vítimas estão em situação de fragilidade emocional ou econômica, à espera do dinheiro da ação.

A regra que desmonta o golpe

A Justiça não cobra para liberar o que é seu. O TJDFT é direto: o tribunal não cobra valores para cadastrar pessoas nem para liberar dinheiro de processos judiciais.

A Polícia Civil do Paraná diz o mesmo com outras palavras: a Justiça não cobra valores antecipados para liberar indenizações nem para resolver pendências do processo. E completa que nenhum advogado ou tribunal pede senha, número de cartão ou chave Pix para liberar pagamento. Se alguém pedir, a orientação é encerrar a conversa e denunciar.

Os sinais de alerta, um por um

Sinal na conversa O que as fontes oficiais dizem
Pedido de Pix, boleto ou transferência para "liberar" valores A Justiça não cobra antecipado para liberar dinheiro (TJDFT e Polícia Civil do PR)
Pressa: "tem que ser hoje", "o prazo vence agora" Urgência é criada para você não conferir (TJDFT)
Número de WhatsApp novo, que você não conhecia Confirme pelos contatos já conhecidos ou do contrato (OAB)
E-mail com endereço parecido com o do escritório Golpistas usam domínios parecidos com os reais (TJDFT)
Conta em nome de outra pessoa para o depósito Honorário vai para conta no CPF do advogado ou no CNPJ do escritório (TJDFT)
Pedido de senha, cartão ou chave Pix Nenhum advogado ou tribunal pede isso (Polícia Civil do PR)
Link para "acompanhar" ou "liberar" o processo Nunca clique em links duvidosos (TJDFT)

Um único sinal já basta para parar e conferir antes de fazer qualquer pagamento.

Como conferir se o advogado é de verdade

A OAB tem duas ferramentas gratuitas. A primeira é o Cadastro Nacional dos Advogados, em cna.oab.org.br, onde a consulta é feita pelo nome ou pelo número de inscrição, segundo o TJDFT.

A segunda é o ConfirmADV, lançado pela OAB Nacional em abril de 2025 e integrado ao cadastro. Ele confirma se quem está falando com você é mesmo o advogado. Pelo roteiro descrito pela OAB:

  1. Acesse confirmadv.oab.org.br pelo navegador do celular.
  2. Informe o número de inscrição na OAB, o estado de registro e o e-mail que o suposto advogado passou.
  3. O sistema manda uma solicitação automática para o e-mail do advogado.
  4. O advogado tem até 5 minutos para responder e confirmar os dados.
  5. Se ele confirmar no prazo, você recebe a autenticação validada. Se o tempo acabar sem resposta, os dois são avisados de que a verificação não foi concluída.

Verificação não concluída não prova que é golpe, mas é motivo de sobra para não pagar nada até falar com o advogado pelo telefone que está no seu contrato.

Como conferir o processo direto no tribunal

Não use o link que veio na mensagem. O TJDFT orienta consultar o processo direto no site do tribunal, pela consulta pública do PJe, com o CPF ou o número do processo.

Outra saída é falar com a unidade responsável pelo processo, a vara, pelos canais publicados no site oficial do tribunal. O TJDFT também recomenda confirmar qualquer taxa ou pagamento pendente com o escritório, com o seu advogado ou com a própria Justiça antes de mexer no dinheiro.

Em que conta o honorário pode cair

Advogado de verdade também cobra, e isso confunde. A diferença está no destino do dinheiro: segundo a cartilha da OAB-DF divulgada pelo TJDFT, honorários devem ser pagos em conta vinculada ao CPF do advogado ou ao CNPJ do escritório.

Pedido para depositar em nome de um terceiro, de uma empresa que você não conhece ou de um "assistente" é sinal de golpe. Antes do Pix, confira o nome que aparece na tela de confirmação e compare com o do contrato.

Caí no golpe: o que fazer agora

Aja rápido, na ordem abaixo, conforme as orientações da OAB, do TJDFT e da Polícia Civil do Paraná:

  1. Pare a conversa e não faça mais nenhum pagamento, mesmo que o golpista prometa devolver.
  2. Ligue para o seu banco pelos canais oficiais do app. A Polícia Civil do PR orienta avisar o banco imediatamente se o pagamento foi recente, para tentar reverter a transação. Como pedir a devolução de um Pix está no guia do MED, o mecanismo de devolução do Pix.
  3. Guarde as provas: prints da conversa, números de telefone, e-mails e comprovantes de pagamento.
  4. Registre o boletim de ocorrência, na delegacia ou pela internet, no site da Polícia Civil do seu estado.
  5. Denuncie à OAB pelo canal oficial da OAB Nacional, fiscalizacao.oab.org.br. As denúncias são encaminhadas para apuração e para a seccional do seu estado.
  6. Denuncie o número no WhatsApp: no perfil do contato, toque em "Denunciar".
  7. Avise o seu advogado de verdade de que o nome dele está sendo usado.

Os outros canais para registrar golpe digital estão no guia de como denunciar golpe digital.

Por que o boletim precisa ser feito por você

A Polícia Civil do Paraná chama atenção para um detalhe da lei: o estelionato é crime condicionado à representação da vítima. Isso quer dizer que a própria pessoa que caiu no golpe precisa comunicar o crime à polícia e dizer que quer a investigação.

Na prática, não basta o escritório ou o advogado registrar o boletim. Mesmo que o advogado já tenha feito a ocorrência sobre o uso do nome dele, a vítima deve fazer a sua.

O golpista pode mexer no meu processo?

Não. O TJDFT afirma que, mesmo quando os criminosos conseguem informações sobre a ação, eles não conseguem alterar o andamento dela.

A recomendação do tribunal para qualquer dúvida é a mesma: na dúvida, não pague. Interrompa o contato e confirme o pedido direto com o seu advogado, com o escritório ou com a Justiça.

Quantas denúncias a OAB já recebeu

No lançamento da campanha nacional, em abril de 2025, a OAB Nacional divulgou levantamentos das seccionais. Os maiores números:

Estado Denúncias ou casos informados pela seccional
São Paulo 1,6 mil desde 2024
Paraná 1.206
Minas Gerais 516
Acre 395, entre 2022 e 2025
Bahia 367, desde abril de 2023
Rio de Janeiro 323
Ceará 316

Os números mostram só quem denunciou à OAB. O golpe usa o mesmo mecanismo de outros que chegam pelo aplicativo de mensagens, como o golpe do falso parente no WhatsApp: alguém se passa por uma pessoa de confiança e pede dinheiro com pressa. Os tipos mais comuns de fraude com Pix estão no guia sobre os golpes do Pix e como se proteger.

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