Golpe do falso parente no WhatsApp: como identificar e o que fazer
No golpe do falso parente, alguém usa a foto de um familiar no WhatsApp e pede Pix com urgência. Veja os sinais, como confirmar e o que fazer se já pagou.
Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

No golpe do falso parente, alguém se passa por um familiar no WhatsApp e pede um Pix urgente. A Febraban orienta: antes de pagar, ligue para o número que você já tem salvo na agenda.
É o golpe mais relatado pelos clientes aos bancos. Segundo levantamento da Febraban divulgado em abril de 2025, o golpe do WhatsApp liderou a lista das abordagens mais comunicadas às instituições associadas em 2024. Abaixo, como ele funciona, os sinais de alerta e o que fazer se o dinheiro já saiu.
Como o golpe do falso parente funciona?
O golpista escolhe uma vítima e pega a foto dela nas redes sociais. Depois, manda mensagem para amigos e parentes dessa pessoa dizendo que trocou de número por causa de um assalto ou da perda do celular, descreve a Febraban.
A conversa começa normal, para ganhar confiança. Logo vem o pedido: um Pix para pagar uma conta ou resolver uma emergência, quase sempre para a conta de outra pessoa.
Existem versões diferentes do golpe?
A Febraban separa duas formas principais. Na primeira, o criminoso nem precisa invadir nada: usa um número novo e a foto copiada da internet. Na segunda, ele toma a própria conta de WhatsApp da vítima e fala com os contatos a partir dela.
| Versão | Como o golpista age | Sinal típico |
|---|---|---|
| Número novo | Cria outra conta com a foto e o nome do seu parente | "Troquei de número, salva esse aqui" |
| Conta tomada | Consegue o código de seis dígitos da vítima e entra na conta dela | Mensagem sai do número de sempre, mas o jeito de escrever muda |
Na versão da conta tomada, segundo a Febraban, o golpista se passa por atendente de uma loja ou empresa e pede o código que o WhatsApp mandou por SMS, dizendo que é atualização ou confirmação de cadastro.
Quais sinais mostram que é golpe?
A central de ajuda do WhatsApp lista sinais de mensagem suspeita. Os que mais aparecem nesse golpe são estes:
- Fingir ser alguém que você conhece, muitas vezes com número desconhecido.
- Pedir dinheiro, com pressa ou em tom de emergência.
- Começar com conversa casual para ganhar confiança antes do pedido.
- Pedir dados pessoais, senhas ou códigos.
A Febraban acrescenta dois alertas: desconfie da história de que a pessoa não consegue acessar o app do banco e precisa de ajuda para um pagamento urgente, e da história do celular perdido.
Como confirmar se é mesmo o seu parente?
Não use o número que mandou a mensagem para tirar a dúvida. A orientação da Febraban é ligar para o número salvo na sua agenda, nunca para o número que está falando com você.
A central de ajuda do WhatsApp sugere mais dois jeitos de conferir:
- Faça uma pergunta pessoal que só o seu parente saberia responder.
- Peça uma ligação de voz ou de vídeo.
- Se a pessoa inventar desculpa para não atender, não faça a transferência.
Se a mensagem veio do número de sempre, mas o pedido é estranho, a conta dessa pessoa pode ter sido invadida, alerta o WhatsApp. Avise o parente por outro canal. O caminho para ele retomar a conta está em como recuperar a conta do WhatsApp.
Já fiz o Pix. O que fazer agora?
Aja rápido. As regras do Banco Central para o Mecanismo Especial de Devolução (MED) dizem que o banco deve abrir o pedido de recuperação o mais rapidamente possível, para aumentar a chance de o dinheiro voltar.
- Abra o app do seu banco, entre na área Pix e procure a opção de contestar a transação. O Banco Central exige que os bancos ofereçam essa função no app para pessoas físicas.
- Escolha o Pix no extrato e informe o tipo de golpe.
- Se preferir, fale com o banco pelo canal de atendimento de sempre e peça a devolução.
- Anote o número de protocolo que o banco informar.
Pelo guia do Banco Central, o banco não deve pedir boletim de ocorrência para abrir a recuperação. O prazo é de até 80 dias depois do Pix, e o banco de quem recebeu tem até 7 dias corridos para analisar. A devolução depende de haver saldo na conta do golpista. Os detalhes estão em como pedir a devolução pelo MED.
Preciso registrar boletim de ocorrência?
Sim, mesmo que o banco não exija para o MED. Golpe com uso de redes sociais ou mensagens é fraude eletrônica, crime previsto no Código Penal desde a Lei 14.155, de 2021, com pena de 4 a 8 anos de reclusão e multa. A pena aumenta quando a vítima é idosa ou vulnerável.
A central de ajuda do WhatsApp recomenda procurar a polícia e guardar registros: faça capturas de tela das mensagens, do número e do perfil. No Paraná, por exemplo, a Polícia Civil aceita o registro pelo próprio site. Os canais estão em onde denunciar golpe digital.
Estão usando a minha foto no WhatsApp. E agora?
A Polícia Civil do Paraná tem um roteiro para quem descobre um número falso com a própria foto pedindo dinheiro aos contatos:
- Registre o boletim de ocorrência.
- Não troque mensagens com o golpista.
- Avise nas redes sociais e aos contatos que há um número se passando por você.
- No WhatsApp, abra a conversa com o número falso e use a opção de denunciar o contato. Peça aos conhecidos que façam o mesmo.
- Deixe a foto do perfil visível só para os seus contatos.
Segundo a mesma página, você não precisa trocar de chip nem de número, porque o golpista usa outro número, sem ligação com o seu.
Denunciar e bloquear o número adianta?
Ajuda. Quando você denuncia uma conta, o WhatsApp recebe até as cinco últimas mensagens daquela conversa, segundo a central de ajuda. A pessoa denunciada não é avisada.
Denunciar sem bloquear mantém as mensagens chegando. Por isso, depois de guardar os prints, bloqueie. A central de ajuda avisa que a única forma de denúncia é pelo próprio app e que contato fora dele não acelera a análise.
Como proteger a sua conta e a da família?
A primeira medida que a Febraban recomenda é ativar a verificação em duas etapas, que cria uma senha extra para registrar a sua conta em outro celular. O passo a passo está em como ativar a verificação em duas etapas.
Outras orientações da Febraban e do WhatsApp:
- Nunca repasse o código de seis dígitos que chega por SMS, nem para quem diz ser de loja, banco ou do próprio WhatsApp.
- Deixe a foto do perfil visível só para os contatos.
- Combine com a família uma pergunta de confirmação para pedidos de dinheiro.
- Evite expor o número do celular em sorteios e promoções nas redes sociais.
Fontes
- Febraban: FEBRABAN alerta para golpes em aplicativos de mensagens (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Saiba quais foram os 10 golpes mais aplicados contra clientes bancários em 2024 (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Golpe do WhatsApp (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Central de Ajuda do WhatsApp: Sobre golpes e mensagens suspeitas (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Central de Ajuda do WhatsApp: Sobre denunciar e bloquear uma conta no WhatsApp (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Banco Central: Guia de implementação dos procedimentos de devolução no Pix (MED), versão 4.4 (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Polícia Civil do Paraná: Whatsapp desconhecido está usando minha foto (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Planalto: Lei nº 14.155, de 27 de maio de 2021 (fraude eletrônica) (conferido em 25 de setembro de 2026)
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