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Golpe do falso parente no WhatsApp: como identificar e o que fazer

No golpe do falso parente, alguém usa a foto de um familiar no WhatsApp e pede Pix com urgência. Veja os sinais, como confirmar e o que fazer se já pagou.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Instrutor ajuda idosas a usar o celular em curso de tecnologia em São José do Rio Preto (SP), em janeiro de 2025
Foto: Marcos Morelli/Pref. Rio Preto / Flickr (CC BY 2.0). Foto original, CC BY 2.0

No golpe do falso parente, alguém se passa por um familiar no WhatsApp e pede um Pix urgente. A Febraban orienta: antes de pagar, ligue para o número que você já tem salvo na agenda.

É o golpe mais relatado pelos clientes aos bancos. Segundo levantamento da Febraban divulgado em abril de 2025, o golpe do WhatsApp liderou a lista das abordagens mais comunicadas às instituições associadas em 2024. Abaixo, como ele funciona, os sinais de alerta e o que fazer se o dinheiro já saiu.

Como o golpe do falso parente funciona?

O golpista escolhe uma vítima e pega a foto dela nas redes sociais. Depois, manda mensagem para amigos e parentes dessa pessoa dizendo que trocou de número por causa de um assalto ou da perda do celular, descreve a Febraban.

A conversa começa normal, para ganhar confiança. Logo vem o pedido: um Pix para pagar uma conta ou resolver uma emergência, quase sempre para a conta de outra pessoa.

Existem versões diferentes do golpe?

A Febraban separa duas formas principais. Na primeira, o criminoso nem precisa invadir nada: usa um número novo e a foto copiada da internet. Na segunda, ele toma a própria conta de WhatsApp da vítima e fala com os contatos a partir dela.

Versão Como o golpista age Sinal típico
Número novo Cria outra conta com a foto e o nome do seu parente "Troquei de número, salva esse aqui"
Conta tomada Consegue o código de seis dígitos da vítima e entra na conta dela Mensagem sai do número de sempre, mas o jeito de escrever muda

Na versão da conta tomada, segundo a Febraban, o golpista se passa por atendente de uma loja ou empresa e pede o código que o WhatsApp mandou por SMS, dizendo que é atualização ou confirmação de cadastro.

Quais sinais mostram que é golpe?

A central de ajuda do WhatsApp lista sinais de mensagem suspeita. Os que mais aparecem nesse golpe são estes:

  • Fingir ser alguém que você conhece, muitas vezes com número desconhecido.
  • Pedir dinheiro, com pressa ou em tom de emergência.
  • Começar com conversa casual para ganhar confiança antes do pedido.
  • Pedir dados pessoais, senhas ou códigos.

A Febraban acrescenta dois alertas: desconfie da história de que a pessoa não consegue acessar o app do banco e precisa de ajuda para um pagamento urgente, e da história do celular perdido.

Como confirmar se é mesmo o seu parente?

Não use o número que mandou a mensagem para tirar a dúvida. A orientação da Febraban é ligar para o número salvo na sua agenda, nunca para o número que está falando com você.

A central de ajuda do WhatsApp sugere mais dois jeitos de conferir:

  1. Faça uma pergunta pessoal que só o seu parente saberia responder.
  2. Peça uma ligação de voz ou de vídeo.
  3. Se a pessoa inventar desculpa para não atender, não faça a transferência.

Se a mensagem veio do número de sempre, mas o pedido é estranho, a conta dessa pessoa pode ter sido invadida, alerta o WhatsApp. Avise o parente por outro canal. O caminho para ele retomar a conta está em como recuperar a conta do WhatsApp.

Já fiz o Pix. O que fazer agora?

Aja rápido. As regras do Banco Central para o Mecanismo Especial de Devolução (MED) dizem que o banco deve abrir o pedido de recuperação o mais rapidamente possível, para aumentar a chance de o dinheiro voltar.

  1. Abra o app do seu banco, entre na área Pix e procure a opção de contestar a transação. O Banco Central exige que os bancos ofereçam essa função no app para pessoas físicas.
  2. Escolha o Pix no extrato e informe o tipo de golpe.
  3. Se preferir, fale com o banco pelo canal de atendimento de sempre e peça a devolução.
  4. Anote o número de protocolo que o banco informar.

Pelo guia do Banco Central, o banco não deve pedir boletim de ocorrência para abrir a recuperação. O prazo é de até 80 dias depois do Pix, e o banco de quem recebeu tem até 7 dias corridos para analisar. A devolução depende de haver saldo na conta do golpista. Os detalhes estão em como pedir a devolução pelo MED.

Preciso registrar boletim de ocorrência?

Sim, mesmo que o banco não exija para o MED. Golpe com uso de redes sociais ou mensagens é fraude eletrônica, crime previsto no Código Penal desde a Lei 14.155, de 2021, com pena de 4 a 8 anos de reclusão e multa. A pena aumenta quando a vítima é idosa ou vulnerável.

A central de ajuda do WhatsApp recomenda procurar a polícia e guardar registros: faça capturas de tela das mensagens, do número e do perfil. No Paraná, por exemplo, a Polícia Civil aceita o registro pelo próprio site. Os canais estão em onde denunciar golpe digital.

Estão usando a minha foto no WhatsApp. E agora?

A Polícia Civil do Paraná tem um roteiro para quem descobre um número falso com a própria foto pedindo dinheiro aos contatos:

  1. Registre o boletim de ocorrência.
  2. Não troque mensagens com o golpista.
  3. Avise nas redes sociais e aos contatos que há um número se passando por você.
  4. No WhatsApp, abra a conversa com o número falso e use a opção de denunciar o contato. Peça aos conhecidos que façam o mesmo.
  5. Deixe a foto do perfil visível só para os seus contatos.

Segundo a mesma página, você não precisa trocar de chip nem de número, porque o golpista usa outro número, sem ligação com o seu.

Denunciar e bloquear o número adianta?

Ajuda. Quando você denuncia uma conta, o WhatsApp recebe até as cinco últimas mensagens daquela conversa, segundo a central de ajuda. A pessoa denunciada não é avisada.

Denunciar sem bloquear mantém as mensagens chegando. Por isso, depois de guardar os prints, bloqueie. A central de ajuda avisa que a única forma de denúncia é pelo próprio app e que contato fora dele não acelera a análise.

Como proteger a sua conta e a da família?

A primeira medida que a Febraban recomenda é ativar a verificação em duas etapas, que cria uma senha extra para registrar a sua conta em outro celular. O passo a passo está em como ativar a verificação em duas etapas.

Outras orientações da Febraban e do WhatsApp:

  • Nunca repasse o código de seis dígitos que chega por SMS, nem para quem diz ser de loja, banco ou do próprio WhatsApp.
  • Deixe a foto do perfil visível só para os contatos.
  • Combine com a família uma pergunta de confirmação para pedidos de dinheiro.
  • Evite expor o número do celular em sorteios e promoções nas redes sociais.

Fontes

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