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Celular ligado direto ao satélite deve chegar ao Brasil em 2027, dizem AST SpaceMobile e Anatel

A AST SpaceMobile vê 2027 como o ano do satélite direto no celular no Brasil e a Anatel ampliou os testes até 2029. Veja como deve funcionar e o que falta.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Antenas parabólicas brancas de uma estação de comunicação por satélite sob céu nublado
Foto: Der_ Hördt/Pexels. Foto original, Licença Pexels

O satélite direto no celular deve começar a ser vendido no Brasil em 2027, segundo Luiz Abud, vice-presidente da AST SpaceMobile, na Futurecom, em São Paulo.

D2D vem de direct-to-device: o aparelho conversa com o satélite quando não há torre por perto. "2027 vai ser o ano do D2D do ponto de vista de comercialização", disse Abud, ao lado de Vinicius Caram, superintendente da Anatel, num painel em 7 de outubro. Os dois relatos saíram no TELETIME e no TeleSíntese.

O que a AST SpaceMobile está montando

A empresa instala quatro gateways no país, a infraestrutura que, segundo Abud, permitirá cobertura nacional. A constelação também será reforçada com novos lançamentos de satélites. Em junho, a AST protocolou o primeiro pedido de constelação D2D formalmente ligada ao Brasil, segundo o TELETIME.

Para vender ao consumidor, ela quer operadoras no meio do caminho. "Estamos abertos para parcerias e esse vai ser o modelo que vamos suportar", afirmou Abud. Ele citou como possibilidades o satélite como extra pago do plano, a inclusão em planos premium e algum incentivo do governo em políticas públicas.

O que a Anatel disse

A agência ampliou até 2029 o sandbox regulatório de D2D, o ambiente de testes que reúne dados técnicos antes das regras definitivas. A prorrogação atendeu a um pedido da Vivo, que, segundo o TELETIME, testa a tecnologia com a Starlink como cobertura complementar.

Caram disse que a Anatel trabalha com um desenho em que o satélite amplia a cobertura das operadoras, sem substituí-las. "Eu acho que o modelo de parceria é o que vai prevalecer", afirmou. Os testes envolvem faixas de 700 MHz, 800 MHz e 900 MHz e dependem de autorização da agência e dos donos das frequências.

Ele também sinalizou que iniciativas podem aparecer antes de 2027 e que a regulação não deve barrar a tecnologia, desde que os requisitos sejam cumpridos.

O que dá para esperar no seu celular

A promessa é que a conexão funcione na maior parte dos smartphones LTE atuais. A gama de serviços já inclui texto, voz e dados.

Mas há limites. Caram avisou que o D2D não deve chegar às velocidades do 5G terrestre e que o sinal tende a ter limitação dentro de casa e de prédios. Por isso, a rede das operadoras continua necessária onde há demanda por velocidade, e o satélite ocupa sobretudo as áreas sem cobertura, com mensagens e voz.

A Anatel também quer que o uso seja transparente: um ícone próprio indicaria que o celular está na rede de satélite, para o consumidor não ser pego de surpresa na tarifação. Isso exigiria atualização de firmware nos aparelhos, segundo o TELETIME.

Abud deu um recado à Starlink: se ela quiser parceria com as operadoras, o caminho está claro, e ele aludiu à chance de a SpaceX vender D2D direto ao consumidor. Sobre o tráfego, afirmou que "100% fica no país, assim como uma rede terrestre". Para Caram, soberania é o Estado poder definir regras de espectro, de operação e de transparência, seja a empresa brasileira ou estrangeira.

Preço, operadoras parceiras e lista de celulares compatíveis ainda não existem: Caram disse que os modelos de negócio e a precificação seguem em aberto. Quem acompanha a briga da Starlink no Brasil pode ver como ela já aparece no ranking da banda larga fixa.

O próximo marco é o anúncio de parcerias entre operadoras e empresas de satélite, que a Anatel diz esperar. Até lá, o sinal do seu plano continua vindo só das torres.

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