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Comprovante de Pix falso: como conferir se o dinheiro caiu

Polícia Civil de Bauru (SP) identificou dois suspeitos de levar celulares de lojas com comprovante de Pix falso. Veja como conferir o Pix antes de entregar.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Cliente com o celular aberto no Pix diante da atendente, no guichê de pagamento
Foto: Lia Kirch/Trensurb / Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Arquivo original, CC BY 2.0

Comprovante de Pix não é dinheiro na conta. Antes de entregar a mercadoria, abra o app do banco e confira se o valor entrou no extrato, com o nome de quem pagou.

Se não entrou, a venda não foi paga, por mais real que o recibo pareça.

O alerta ganhou um caso novo nesta semana. A Polícia Civil de Bauru (SP) identificou dois suspeitos de usar comprovantes falsos de Pix para levar celulares caros de lojas da região sem pagar nada. Abaixo, o que se sabe do caso e o que as regras do Banco Central dizem sobre como um Pix de verdade aparece no celular de quem recebe.

O caso de Bauru: celulares levados com recibo falso

Segundo a Polícia Civil, em informações divulgadas pelo jornal JCNET em 29 de setembro, o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Bauru esclareceu uma série de golpes contra lojas de celular.

O que a investigação apontou:

  • os golpes aconteceram em Bauru, Lençóis Paulista e Macatuba, nos dias 27 de junho e 3 de julho;
  • os autores mostravam comprovantes falsos de transferência por Pix e saíam com aparelhos de alto valor;
  • o prejuízo das lojas foi estimado entre R$ 30 mil e R$ 40 mil;
  • os suspeitos são um adolescente de 17 anos e um homem de 47 anos;
  • segundo a polícia, os dois estão na Inglaterra, e o fato será comunicado às autoridades competentes para as medidas legais.

O ponto que interessa a qualquer comerciante é outro: nas três cidades, o vendedor viu um recibo na tela e entregou o produto antes de ver o dinheiro.

Por que o comprovante engana

Um comprovante de Pix é só uma imagem ou um PDF. Qualquer pessoa pode editar um recibo verdadeiro, trocar o valor e o nome, ou montar um do zero com aparência de app de banco. Na correria do balcão, com fila e cliente com pressa, o recibo na tela do golpista parece prova suficiente.

Não é. O único lugar que diz se o dinheiro chegou é a conta de quem recebe.

O que o Banco Central manda o banco mostrar a quem recebe

As regras do Pix para os aplicativos estão no manual "Requisitos mínimos para a experiência do usuário", do Banco Central (versão 7.3, de dezembro de 2025). Três obrigações ajudam o lojista:

  1. Aviso de recebimento. Quando um Pix por chave, por dados bancários ou por QR Code é concluído, o banco de quem recebe deve enviar uma notificação assim que a transação termina. O aviso traz, no mínimo, o nome de quem pagou, o CPF mascarado ou o CNPJ e o valor.
  2. Lançamento no extrato. O Pix recebido aparece no extrato com o nome do pagador, o valor, a data e a hora.
  3. Identificador da transação. Todo comprovante deve ter o ID da transação, um código único, e a data e a hora com minutos e segundos (horário de Brasília) da liquidação.

Traduzindo para o balcão: se o cliente diz que pagou e o seu celular não avisou nada, desconfie. E, mesmo com aviso, abra o extrato no app do banco (não o print que o cliente mostra) e procure o lançamento.

Comprovante de pagamento ou de agendamento?

Uma variação usa um recibo verdadeiro, só que de Pix agendado. O dinheiro não saiu: foi marcado para uma data futura. Até lá, ele não está na sua conta, e o cliente já foi embora com o produto.

O Banco Central exige que os bancos diferenciem os dois documentos:

  • o comprovante de pagamento deve ter um ícone de "check" (um visto) em destaque no topo;
  • o de agendamento usa outro ícone, o de calendário com relógio;
  • os ícones têm de aparecer também nos comprovantes compartilhados, em PDF ou imagem.

Serve como pista, não como garantia: um recibo falsificado pode copiar o ícone certo. No Pix agendado, o recebedor só é avisado quando o dinheiro de fato cai, na data marcada. Até lá, não há nada no seu extrato.

Checklist do lojista antes de entregar

  • Abra o app do banco e confira o extrato, não o print, a foto ou o PDF enviado pelo cliente.
  • Confira o nome do pagador no lançamento. Ele tem de bater com o que o cliente disse.
  • Confira valor, data e hora. Um recibo com horário de dias antes é sinal de recibo reaproveitado.
  • Não aceite "já caiu, é só atualizar". Se o seu app não mostra, o Pix não chegou.
  • Desconfie de pressa e de recibo enviado por outra pessoa, como um "sócio" que manda a imagem pelo WhatsApp.
  • Em venda de valor alto, como celular, cobre pelo QR Code gerado pela sua conta ou maquininha. Pelas regras do BC, o seu banco avisa assim que o pagamento é concluído.
  • Combine com a equipe: nenhum vendedor entrega produto sem a confirmação no extrato, por um responsável com acesso à conta.

Caí no golpe: o que fazer

Como no comprovante falso nenhum Pix foi feito, não há transação para o banco bloquear ou devolver. O caminho é a polícia:

  1. Guarde tudo: a imagem do comprovante falso, as conversas, as imagens das câmeras da loja e os dados do aparelho levado (modelo e IMEI da nota fiscal).
  2. Registre boletim de ocorrência. Em São Paulo, dá para registrar pela Delegacia Digital da Polícia Civil; em outros estados, pela delegacia on-line de cada Polícia Civil.
  3. Informe o IMEI no boletim. Ele ajuda a identificar o aparelho se for recuperado.

Quando procurar o banco e o Banco Central

Se houve um Pix de verdade no meio, como um agendado que nunca caiu, fale também com o seu banco. Se o banco não resolver, o Banco Central recebe reclamações pelo canal oficial.

Para ver os outros golpes que usam o Pix, leia o nosso guia dos golpes do Pix mais comuns. Se você é quem está pagando, veja também como conferir o destinatário de um QR Code antes de pagar e onde denunciar golpe digital.

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