Golpe da falsa central do banco: como funciona e como não cair
Na falsa central, o golpista finge ser do banco e pede senha, Pix ou app. Veja como o golpe funciona, o que o banco nunca pede e o que fazer se você caiu.
Por Redação Celular de Perto · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges

No golpe da falsa central, alguém liga fingindo ser do seu banco e pede senha, Pix ou um app no celular. A Febraban é clara: o banco nunca pede isso. A saída é desligar e ligar você.
O roteiro muda de roupa, mas a lógica é sempre a mesma: criar urgência e medo para você agir sem pensar. Abaixo estão as versões mais comuns, o que o banco de verdade faz numa ligação e o passo a passo se o dinheiro já saiu.
Como o golpe da falsa central começa
Segundo a Febraban, o fraudador entra em contato se passando por funcionário do banco ou de uma empresa com a qual a vítima tem relação. Ele diz que a conta foi invadida, clonada ou que houve uma compra estranha, e a partir daí pede dados pessoais e financeiros.
Mesmo que a pessoa diga seu nome ou o banco em que você tem conta, isso não prova nada. O que denuncia o golpe é o pedido que vem depois: senha, código, transferência ou instalação de aplicativo.
Por que o número na tela parece ser do banco?
Porque o número pode ser falsificado. A Anatel explica que a falsificação de números, chamada de spoofing, se tornou comum com as redes digitais e passou a facilitar a aplicação de golpes. O visor mostra um número conhecido, mas quem liga é outra pessoa.
Por isso, ver o número da central do banco na tela não é garantia de nada. A Febraban informa que envia à Anatel uma relação de telefones usados no golpe da falsa central, que é repassada às operadoras para bloqueio, mas novos números aparecem o tempo todo.
O que o banco nunca pede numa ligação
A Febraban informa que os bancos podem ligar para confirmar transações suspeitas. Nessas ligações, porém, nunca pedem:
- senha, token ou código de segurança;
- dados pessoais ou número completo do cartão;
- atualização de sistema ou instalação de aplicativo;
- transferência, Pix ou qualquer pagamento para "regularizar" a conta;
- estorno de transação feito por telefone;
- o seu cartão de volta, nem mandam alguém buscá-lo.
O Banco Central vai além e lembra que não pede senhas nem dados bancários e só liga para quem entrou em contato antes com ele. Se alguém disser que fala "do Banco Central", desconfie na hora.
As variações mais comuns do golpe
A Febraban descreve várias versões do mesmo truque. Todas terminam com você entregando dinheiro ou acesso à conta:
- URA falsa: uma gravação imita o atendimento automático do banco, fala de uma compra aprovada ou de um Pix suspeito e pede para digitar uma opção, que leva a um falso atendente.
- SMS com 0800: a mensagem avisa sobre uma compra alta e manda ligar para um 0800, que é do golpista. Veja como reconhecer o golpe do link falso por SMS.
- Conta segura: o golpista diz que um funcionário do banco está fraudando sua conta e manda transferir o saldo para uma "conta segura", que é dele.
- Mão fantasma: pede para instalar um aplicativo que daria acesso remoto ao celular.
- Falso motoboy: pede a senha, manda cortar o cartão sem danificar o chip e envia alguém para buscá-lo.
Na versão da conta segura, a Febraban alerta que o criminoso chega a orientar a vítima a mentir para o banco, dizendo que a transferência é um investimento, caso o banco ligue para confirmar. Qualquer orientação desse tipo é sinal de golpe.
O que fazer durante uma ligação suspeita
A regra da Febraban cabe em uma frase: desligue na hora. Na prática, siga esta ordem:
- Não confirme dados, não digite senha e não diga códigos recebidos por SMS.
- Desligue, mesmo que a pessoa insista ou diga que a conta será bloqueada.
- Não ligue de volta para o número que apareceu na tela nem para um 0800 recebido por mensagem.
- Use outro telefone para ligar para o número oficial do banco, aquele do verso do cartão.
- Se preferir, abra o app do banco e confira extrato, limites e avisos por conta própria.
- Se algum dado foi passado, peça ao banco o bloqueio do cartão e a troca da senha.
Nenhuma urgência real some em cinco minutos. Se houver mesmo um problema na conta, o banco vai confirmar pelo canal oficial.
Por que ligar de outro telefone
Esse detalhe está na orientação da Febraban e tem motivo. Num dos roteiros, o golpista pede que você ligue para o número do verso do cartão, mas continua na linha. Você acha que discou para o banco, e ele simula o atendimento para pegar seus dados e a senha que você digitar.
Ligar de outro aparelho corta esse truque. Por isso a Febraban orienta: depois de desligar, pegue outro telefone e ligue para o número oficial do banco.
Origem Verificada: o selo que mostra ligação autenticada
A Anatel criou a autenticação e identificação de chamadas, conhecida como Origem Verificada. Quando a empresa usa o serviço, o celular pode mostrar o nome de quem liga, o selo de autenticação, o texto "Número Validado", o logotipo e o motivo da ligação.
Para aparecer, o aparelho precisa ter 4G ou 5G, VoLTE ativado e sistema atualizado. A Resolução nº 777, de 28 de maio de 2025, tornou a autenticação obrigatória, com prazo de até três anos para a implantação em todo o país.
| Aparelho | O que precisa | O que aparece |
|---|---|---|
| Samsung com Android 14 ou superior | 4G, VoLTE ativado | Nome, número, selo, logomarca e motivo |
| Samsung com Android 10 a 13 | 4G, VoLTE ativado | Nome, número e selo |
| Outros fabricantes com Android 11 ou superior | 4G, VoLTE ativado | Nome, número e selo |
| iPhone com iOS 18.2 ou superior | 4G, VoLTE ativado | Nome, número, logomarca; selo só no histórico |
| Celular 3G ou 2G | Não tem VoLTE | Só o número |
Fonte: Anatel. A agência avisa que chamada sem selo nem sempre é fraude, porque a adoção é gradual. E o selo não muda a regra de ouro: nem numa ligação autenticada o banco pede senha. Uso indevido do sistema pode ser denunciado no portal origemverificada.com.br.
Caí no golpe: o que fazer agora
Pelas orientações do Banco Central, a velocidade conta. Quanto mais rápido o contato com o banco, maior a chance de recuperar o dinheiro:
- Ligue para o seu banco pelo canal oficial e relate o golpe.
- Se houve Pix, peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED); veja como pedir a devolução do Pix pelo MED.
- Bloqueie cartões, troque senhas e desinstale qualquer app que o golpista mandou instalar.
- Registre boletim de ocorrência com os dados do comprovante: valor, data e hora, banco e nome do recebedor.
- Se o banco não resolver, registre reclamação no Banco Central e procure o Procon.
O caminho completo, com polícia, banco e canais do governo, está no guia de como denunciar golpe digital.
Os sinais de alerta lado a lado
| O golpista pede | O banco de verdade |
|---|---|
| Senha, token ou código do SMS | Nunca pede por telefone |
| Pix ou transferência para "conta segura" | Nunca pede para mover dinheiro |
| Instalar um aplicativo | Nunca pede instalação por ligação |
| Entregar o cartão a um motoboy | Nunca recolhe cartão em casa |
| Ligar para um 0800 recebido por mensagem | Atende no número do verso do cartão |
| Mentir para o banco se ele ligar | Quer que você confirme só o que fez |
Se a ligação trouxer qualquer item da coluna da esquerda, é golpe. Outra barreira útil é manter um teto baixo para transferências: veja as regras de limite do Pix de dia e à noite.
Fontes
- Febraban: Golpe da falsa central de atendimento (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Golpe acesso remoto ou mão fantasma (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Golpe do falso motoboy (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Criminosos ligam para clientes com falsas gravações para aplicar golpes (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: Quadrilhas usam nome da Febraban no golpe do 0800 para enganar clientes (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Febraban: dicas para que cliente se proteja do golpe do acesso remoto (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Banco Central: Alerta de golpes usando o nome do Banco Central e de instituições financeiras (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Banco Central: Perguntas e respostas sobre o Pix (segurança e golpes) (conferido em 25 de setembro de 2026)
- Anatel: Autenticação e Identificação de Chamadas (Origem Verificada) (conferido em 25 de setembro de 2026)
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