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Roaming internacional: como evitar conta alta no celular em viagem

Usar o chip no exterior sem pacote pode custar caro. Veja o que diz a Anatel, como desligar o roaming de dados no Android e como fica o acordo do Mercosul.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges
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Passageiros com malas no saguão de embarque do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, em 2025
Foto: TomasVial / Wikimedia Commons (CC0). Arquivo original, CC0

Usar o chip brasileiro fora do país gera cobrança extra de roaming internacional, avisa a Anatel. Sem pacote, a conta sobe rápido, e desligar os dados é o jeito mais seguro de evitar susto.

A seguir, o que a agência e as operadoras dizem sobre preços e consumo no exterior, o passo a passo da central de ajuda do Google para travar os dados no Android e em que pé está o acordo do Mercosul que promete acabar com a tarifa extra na região.

Por que o roaming internacional encarece tanto a conta?

Dentro do Brasil, na área de cobertura da operadora, não há custo adicional para usar a internet do celular, segundo a Anatel. No exterior, a regra muda: o consumidor paga um valor extra pela banda larga móvel.

A explicação da agência é simples. A operadora brasileira fecha acordos com empresas de outros países para que o cliente use a rede delas. Se não houver parceria, não há dados móveis no celular naquele país.

Os termos da Claro deixam claro outro ponto: as franquias do plano não valem em roaming, salvo em pacotes específicos, e o que for usado é lançado como excedente na fatura.

Quanto custa usar o celular no exterior sem pacote?

Depende da operadora e do destino. Como exemplo, os termos do roaming internacional da Claro para o pós-pago (ofertas em vigor desde 22 de setembro de 2023, versão ainda publicada pela operadora em setembro de 2026) mostram que, sem pacote, a operadora aplica uma diária de internet automática a partir do primeiro uso de dados no país visitado:

Serviço sem pacote (Claro) Valor promocional Valor cheio
Diária de internet, Américas ou Europa (500 MB por 24 horas) R$ 39,90 R$ 69,80
Diária de internet, demais países (250 MB por 24 horas) R$ 69,90 R$ 139,80
Minuto de ligação feita ou recebida (Américas) R$ 5,00 R$ 10,00
SMS enviado R$ 5,00 R$ 10,00

Cada nova diária é ativada a cada novo uso depois que a anterior vence. A Claro avisa que os valores podem variar com o câmbio e que a cobrança segue até o cliente parar de usar ou pedir o bloqueio do roaming pelo *468.

Ligação recebida no exterior também é cobrada?

Pode ser. Pelos termos da Claro, ligações recebidas em roaming são tarifadas como as feitas, e a tarifa de deslocamento internacional é cobrada à parte. Os SMS recebidos não são cobrados.

A cobrança é por minuto cheio. Segundo a TIM, ligações feitas e recebidas no exterior são tarifadas por minuto completo a partir do 1º segundo. Uma chamada de 10 segundos, portanto, paga o minuto inteiro.

Pacote de roaming ou chip local: o que compensa?

A Anatel lista duas saídas para economizar. A primeira é usar Wi-Fi gratuito sempre que houver, para navegar sem pagar nem gastar a franquia. A segunda é comprar o chip de uma operadora do país visitado.

Segundo a agência, se for ao exterior, pode ser mais vantajoso usar um chip local enquanto estiver fora. Quem prefere manter o número brasileiro deve contratar um pacote da própria operadora antes de viajar.

As operadoras vendem pacotes por grupos de países. A TIM divide as tarifas em zonas (Europa, Américas e Mundo), e a Claro oferece o Claro Passaporte para clientes pós-pagos. Celulares com eSIM permitem somar uma linha local sem tirar o chip do Brasil.

Como desligar o roaming de dados no Android?

A central de ajuda do Google alerta que algumas operadoras cobram taxa extra pelo roaming de dados. Segundo a ajuda do Pixel, o caminho é este:

  1. Abra o app Configurações do celular.
  2. Toque em Rede e Internet e depois em Internet.
  3. Ao lado do nome da operadora, toque em Configurações.
  4. Ative ou desative a opção Roaming.

O Google avisa que as etapas podem mudar em aparelhos com versão personalizada do Android, como os de outras marcas. Nesse caso, a orientação é consultar o fabricante. Com os dados desligados, o Google lembra que a internet segue disponível pelo Wi-Fi.

Como criar um alerta ou limite de dados no celular?

O Android também deixa programar um aviso e um teto de consumo. Segundo a central de ajuda do Google, os passos são:

  1. Abra Configurações, toque em Rede e Internet e em Internet.
  2. Ao lado do nome da operadora, toque em Configurações.
  3. Toque em Alerta e limite de dados.
  4. Para o aviso, toque em Alerta de uso de dados, digite o valor em MB ou GB e toque em Definir.
  5. Para o teto, ative Definir limite de dados, toque em Limite de dados, digite o valor e toque em Definir.

Ao chegar no limite, os dados móveis são desativados e aparece uma notificação. O Google lembra que a medição do aparelho pode ser diferente da feita pela operadora, então vale conferir o saldo do pacote também no app da empresa.

O que conferir antes de embarcar?

Juntando as orientações da Anatel e das operadoras, a checagem antes da viagem cabe nesta lista:

  1. Veja no site da operadora se o país de destino tem roaming e quanto custa.
  2. Confira se a sua linha está habilitada. A TIM informa que, no pós-pago, o serviço fica ativo após o pagamento da primeira fatura; a Claro faz o desbloqueio pelo *468.
  3. Contrate o pacote para o grupo de países certo, se for usar o número brasileiro.
  4. Deixe o roaming de dados desligado até o pacote estar ativo.
  5. Anote a central da operadora para ligar do exterior. A da TIM é +55 11 2847-6144, gratuita.

Na Claro, o Passaporte é exclusivo do pós-pago: clientes do pré, do Controle e do Flex precisam migrar de plano para usar. A operadora também exige ativar o roaming de dados e o VoLTE no aparelho. Bônus e promoções não valem fora do país.

Argentina, Paraguai e Uruguai já estão sem roaming?

Ainda não dá para contar com isso sem confirmar. O Brasil promulgou pelo Decreto 12.782/2025 o acordo do Mercosul que elimina encargos de roaming entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo o decreto, o acordo entrou em vigor para o Brasil em 21 de novembro de 2025.

Pelo texto, as operadoras devem cobrar de quem viaja pelo bloco os mesmos preços do país de origem, conforme o plano contratado, em voz, SMS e dados. O acordo também prevê mecanismos para o usuário controlar o próprio consumo.

Mas o mesmo acordo diz que um Comitê de Coordenação Técnica, formado pelos países que o ratificaram, define a data de aplicação efetiva entre eles. Até a operadora confirmar a regra para a sua linha, trate a viagem ao Mercosul como qualquer outra e siga os cuidados acima.

A operadora precisa avisar sobre preço e consumo?

Sim. O Regulamento Geral de Direitos do Consumidor da Anatel (RGC, Resolução 765/2023) cria obrigações que ajudam a controlar o gasto:

  • Toda oferta registrada na Anatel deve informar os valores de uso fora da área de mobilidade do plano ou como usuário visitante.
  • O consumidor deve ser avisado quando o consumo se aproximar da franquia contratada.
  • O atendimento digital deve ter recurso para acompanhar o uso durante o consumo, além do perfil de consumo dos últimos 6 meses.
  • A cobrança de qualquer valor contratado depende de autorização prévia e expressa do consumidor.

O relatório detalhado, gratuito no atendimento digital, mostra o volume diário de dados, os limites excedidos e o valor de cada ligação ou conexão.

Veio conta alta de roaming. Dá para contestar?

Dá. Pelo RGC, o consumidor tem até 3 anos para contestar uma cobrança na operadora. O valor contestado e ainda não pago fica suspenso, e a empresa deve emitir nova fatura só com o que não foi questionado.

A operadora tem 30 dias para responder. Se não responder no prazo, ou se a contestação for aceita, precisa cancelar a cobrança ou devolver o valor pago. Quem pagou quantia cobrada indevidamente tem direito à devolução em dobro, com correção e juros.

Guarde o protocolo e o relatório detalhado do período da viagem. Se a operadora não resolver, a queixa pode ir para a Anatel ou para o Consumidor.gov.br. Para quem vai viajar com chip pré-pago, vale ainda conferir se o cadastro da linha está no seu CPF.

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