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O que é pagamento sem redirecionamento no Open Finance e por que mudou junto com o Pix?

Pix sem redirecionamento no Open Finance: as duas etapas da regra do Banco Central, onde você confirma, quem responde e por que o limite mudou em 1º de outubro.

Por Redação Celular de Perto · Edição: Bruno Teles

Tela de celular com a Central Pix de um aplicativo de banco aberta, com os botões Fazer um Pix, Pix por aproximação e Minhas Chaves Pix, em Brasília
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil. Fonte original

Desde 1º de outubro, o limite do Pix pago por carteira digital no Open Finance, a chamada Jornada Sem Redirecionamento (JSR), segue a mesma lógica do Pix comum: vale o limite que você definiu no seu banco. A mudança veio na Instrução Normativa BCB 746, publicada em 17 de junho, junto com o fim do teto fixo de R$ 500 do Pix por aproximação.

Os dois pagamentos foram tratados juntos porque, para quem paga, a promessa é a mesma: encostar ou tocar e pronto, sem abrir o aplicativo do banco. O Banco Central diz que quis unificar as diretrizes e reduzir diferenças de regra entre jornadas que, do ponto de vista do usuário, têm a mesma proposta.

O que significa pagar sem redirecionamento

O nome vem da Resolução BCB 406, de 2 de agosto de 2024. Ela trata do serviço de iniciação de transação de pagamento "sem o redirecionamento para outros ambientes ou sistemas eletrônicos", no âmbito do Open Finance. Em português simples: você paga por um aplicativo (a carteira digital, que a norma chama de instituição iniciadora) usando uma conta que está em outro banco, sem ser jogado para o app desse banco a cada compra.

Para isso funcionar, a norma divide o processo em duas etapas, e cada uma tem um lugar certo para você confirmar.

Etapa 1: vincular a conta ao aparelho

A primeira etapa é a vinculação de conta. Você dá o consentimento à carteira digital para ligar a um aparelho específico uma conta que é sua (ou na qual você tem poderes de movimentação).

Segundo a Resolução 406, a autenticação e a confirmação dessa vinculação acontecem no ambiente do banco onde está a conta. Só depois disso a carteira pede que você gere credenciais de segurança no próprio aparelho e autorize que um componente delas seja enviado ao banco da conta.

É essa credencial, guardada no seu celular, que o banco vai usar para reconhecer você na etapa seguinte.

Etapa 2: autorizar cada pagamento

A segunda etapa é a transação de pagamento. Aqui você se autentica e confirma o pagamento (ou um conjunto de pagamentos determinado). O banco da conta usa o componente da credencial gerado na etapa 1 para checar que é você, e a confirmação em si acontece dentro da carteira digital.

Resumo do caminho, na ordem da norma:

  1. Você consente e vincula a conta ao aparelho, com confirmação no banco da conta.
  2. A carteira gera a credencial de segurança no seu celular.
  3. A cada pagamento, você confirma na carteira e o banco confere a credencial.

Quem responde se algo der errado

O artigo 5º da Resolução 406 diz que as instituições que participam do serviço são responsáveis pelos ambientes tecnológicos que oferecem e pelos registros gerados em cada etapa. A responsabilidade inclui a falta de medidas de gestão de risco previstas na regulamentação e falhas da carteira digital que prejudiquem a capacidade do banco de autenticar o cliente.

A norma não traz um passo a passo de ressarcimento para o cliente. Em caso de golpe com Pix, o caminho continua sendo avisar o banco logo e pedir o Mecanismo Especial de Devolução, que vale para o Pix em geral.

Por que o limite mudou na mesma data

O Banco Central explica na nota de 19 de junho que as transações por aproximação e as iniciadas pela JSR passam a seguir a lógica dos demais pagamentos via Pix. O usuário pode pedir ao banco que aumente ou reduza o limite diário e o limite por transação, pela ferramenta de gestão de limites que todos os bancos devem oferecer no aplicativo.

Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, disse que a regra "torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema do Pix".

O prazo de 1º de outubro foi dado aos bancos e instituições de pagamento para adaptar os sistemas. Já a oferta da JSR ao público em geral é mais antiga: pela Resolução BCB 541, de dezembro de 2025, a obrigação para as instituições detentoras de conta no Pix começou em 22 de abril de 2026, depois de uma fase de testes em produção desde 6 de fevereiro.

A Resolução 406 também prevê que o Banco Central define limites de valor e prazo de validade do consentimento, e que bancos e carteiras podem combinar, por contrato entre eles, limites acima dos fixados pelo BC.

O que conferir no seu aplicativo

Se você usa carteira digital com conta de outro banco, vale abrir o app do banco da conta e olhar o limite diário e o limite por transação, porque é ele que vale desde 1º de outubro. Se o valor for maior do que você usa, dá para reduzir ali mesmo. Quem usa também o pagamento por aproximação encontra o passo a passo em como pagar com Pix por aproximação e o efeito do fim do teto em o que ainda vale depois do R$ 500.

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